Memórias Maternas II

quinta-feira, 4 de junho de 2026


(Daliana Medeiros Cavalcanti - 04/06/2026)

Apesar de carregar “Maria” em seu nome, mainha não tinha nada a ver com a versão estereotipada da mãe de Jesus - aquela mãe carinhosa e amável, que estava sempre distribuindo beijinhos e abraços para seus filhos… Ela era fria, séria, detestava bagunça e sujeira e gostava de dar ordens; aliás, acho que eu e minhas irmãs só somos educadas, como somos, graças à disciplina dela.

Quando descia do carro, porque tinha acabado de chegar na escola, observava as outras crianças recebendo beijos e abraços das suas mães. Algumas recebiam até selinhos (coisa que, na época, achava esquisito) e, enquanto isso, mainha nos perguntava: “estão levando todo o material? Caderno, livros, caneta, agenda? Estão levando a lancheira? Depois, não quero saber de anotação na agenda, dos professores dizendo que vocês não trouxeram o material e não quero saber de vocês reclamando de fome, porque eu ajeitei tudo direitinho, viu? Boa aula.”

Ao observar essa total diferença da relação de pais e mães com outras crianças e a minha relação e a das minhas irmãs com nossos pais, em especial, minha mãe, eu me questionava “por que mainha não é assim?”