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De hélices e mitos

terça-feira, 3 de setembro de 2024


(Daliana Medeiros Cavalcanti - 25/08/2024)

Bela musa que beijo
De vez em quando...
Ocasionalmente...
Que não obedece ao desejo...
Nublando...
Ocaso na mente...

Mnemósine

sábado, 31 de outubro de 2020

Quadro Mnemosine (também conhecido como Lâmpada da Memória e Ricordanza), de Dante Gabriel Rossetti (1876 a 1881)



Memória que se vai
Ao despertar do dia
De algo que se dizia
Quando a noite cai

Filha de Urano,
Mãe das musas
E que deixa confusas
As mentes do humano

E inspiram artistas
Com belas lembranças
E também as crianças
Com suas conquistas

E também, traiçoeira
Some no momento
E com o esquecimento
Amaldiçoa quem a queira

Bênção ou praga
A critério de quem interpreta
Seja cantor(a) ou poeta
Ou qualquer um(a) que a traga

E que faz parte de nós
Num se achar e se perder
Na luta para permanecer...
À tua inconstância, dou voz.


(Daliana Medeiros Cavalcanti - 31/10/2020)

Anseio pulsante

quarta-feira, 26 de agosto de 2020



Imersa em desejos,
Calor e suspiro
E romper-me em beijos
Com quem me refiro

Numa troca de águas
Saliva e suor...
Afastando as mágoas
Palpitando o cor

Carícia e toque
Afago e arrepio
Que em ti provoque
Doce desvario

Encanto e essência
Ao som de gemidos
E efervescência
Fusão de sentidos

Sussurros e juras
E os corpos em gozo
Sorriso e ventura
Repouso

Meu amor adormece
Meu sonho desperta
Ilusão que aquece
Coração que aperta

Nada aconteceu!
Só em minha mente
Que vive o que não viveu
Tal paixão ardente

Ardor que me arrebata
Realidade me golpeia
Dúvida que me mata
Esperança titubeia...

Excesso de sensatez
Quando quero enlouquecer!
E devia, talvez...
Deixar arrefecer...


(Daliana Medeiros Cavalcanti - 26/08/2020)

Silêncio e liberdade

quarta-feira, 15 de julho de 2020


Pobre moça tão sofrida...
Tanto medo, tanto receio
Que há de explodir o seio
Tanta dor, tanta ferida..

Constrói espessas muralhas
Protegendo seu entorno
Qual será o seu transtorno?
Contra quem são as batalhas?

Sob ameaça suposta
Assustou-se com o invisível
E escolheu o indizível
Como amarga resposta

O silêncio outrora imposto
Começou como opressão
E tornou-se libertação...
Causou em ti o oposto

Me liberto ao me calar
E você, em sua censura
Se prende na postura
De não me deixar falar

Não preciso de mordaça
Pois você já está inerte
Na prisão que te converte
De caçadora a caça

É refém do próprio ego
Que te impede de agir
E ver o carinho ressurgir...
Essa culpa, eu não carrego

Meus amores, confesso
Os meus erros, redimo
Meus versos, eu rimo
De teu fardo, me despeço.


(Daliana Medeiros Cavalcanti - 16/07/2020)

Correntes do Ontem

sexta-feira, 21 de fevereiro de 2020


Te amo e no entanto
Amar-te não deveria
Mas tomada de encanto
Me apego à fantasia
Que encobre o pranto
E as dores do dia-a-dia...

Suspiro por ti, porém
Nunca vivi os desejos
De te transbordar em beijos
E amar-te como ninguém...

Anseio por ti, contudo
Já fui por ti rejeitada
E sigo ainda apaixonada
E apenas me iludo...
Quisera não sentir nada,
Mas por ti, amor, sinto tudo...

Penso em ti, muito embora
Saiba que tu não me queres
Sou a mais triste das mulheres
Que vive na dor do agora...

Te desejo e, sendo assim
Te desnudo em corpo e ser
Tomando-te para mim
Num me achar e me perder
Em sonhos e devaneios sem fim...
Quando eu deveria esquecer...

Com o sentimento frustrado
E o coração tão ferido
Lamento em meio à dor
O desperdício do amor
Que nunca foi vivido
E que deveria estar no passado...


(Daliana Medeiros Cavalcanti - 21/02/2020)

Escárnio ao opressor

sábado, 21 de dezembro de 2019


O ódio do Bozo abunda
A bunda do Bozo exposta
Pela cabeça, nada profunda
E a boca só fala bosta

A bosta que se difunde
Ao tratar o Papa de "senhor"
E também quando transfunde
Dia alternado para o cocô

Toda vergonha, ele esbanja:
Com presidente, ministro e sheik
É a família da laranja!
Que só prospera através do fake

“Fake news é ‘fêique’ dói”
E causa estragos quando se espalha
Pois toda a verdade se destrói
E atinge até uma pirralha!

A vergonha internacional
Mostra profundo despreparo
Desse governo mortal
Da família Bolsonaro

É ministro com nota baixa
Que vai controlar a educação
São viagens que encaixa,
Sem tradução...

É ministra religiosa
Com discursos bem insanos
Que "é linda e veste rosa"
E controla os direitos humanos

É ministro incompetente
Já não é mico! É King Kong!
Controla o meio ambiente
E ainda vem culpar uma ONG...

Um governo sem ideias
Que possui cruel destino
De constantes diarreias
Da bolsa do intestino

É discurso machista, branco,
Homofóbico e violento
"Quem matou Marielle Franco?
Qual é o teu envolvimento?"

É um (des)governo que oprime
Na base da ameaça
Volta atrás e se "redime"
Protegido pelo reaça

Questionamos
A uma só voz:
"Milicianos,
Cadê o Queiroz?"

Me despeço com esses versos
Nessa época de "champanhe e peru"
Causando riso no povo
Que vai, agora, comer ovo
Com esses desmontes perversos
Dos fiscalizadores de cu

E para completar meu adeus,
Aconselho fortemente:
“Pense BEM em quem votar!
Seja inteligente
(ao contrário do presidente)!
Procure sempre questionar
Quem mistura política e Deus,
Pois pode prejudicar
O meu viver e o seu.”


(Daliana Medeiros Cavalcanti – 21/12/2019)

Deslizes

terça-feira, 19 de novembro de 2019


Amo olhos que dizem
O que os lábios calam
E em silêncio exalam
Energias que se embalam
Para que se sintonizem

Amo os braços que abrigam
Meu coração palpitante
E confessa, a cada instante
Sentimentos que intrigam
E me alegram bastante

Amo o riso e a essência
Deste ser tão amado
Que num deslize e inocência
Fez a transcendência
De um cor desavisado,
De paixão capturado...

Paixão que me invade,
Tormenta e acalenta
E que o tempo aumenta...
Paixão de verdade
De ti tão sedenta

Amor emudecido
Que só cresce e anseia
Se encontrar e se perder
No desconhecido
Da alma alheia
Que quer o amor viver.


(Daliana Medeiros Cavalcanti - 19/11/2019)

Anjo sem asas

terça-feira, 16 de julho de 2019


Tão breve a tua passagem...
Mais rápida que um cometa...
Faça uma boa viagem,
Minha queria Tia Preta

Enfeita o céu, como uma estrela
Projeta a nós, como uma Santa
Impossível é esquecê-la...
Cuja bondade, a nós, encanta...

Repousa e descansa em paz
Despeça-te de toda a dor
Pois ela não te aflige mais.
O teu corpo se desfaz
Mas permanece teu bom humor
E teu doce espírito de amor

Obrigada por participar
Ativamente de minha história
Sempre de forma afetiva.
Para sempre vou te amar,
Te mantendo em minha memória,
Onde sempre estarás viva.


(Daliana Medeiros Cavalcanti - 07/07/2019)

Planta Inacabada

quarta-feira, 26 de setembro de 2018


Novamente partida ao meio
Há uma dúvida que quero que desapareça
Dúvida esta que invadiu meu seio
E que surgiu, atormentando minha cabeça

Não sei o que faço
Nem que caminho devo seguir:
Se jogo tudo para o espaço
Ou se sigo em frente sem cair

Tenho duas paixões
E não sei qual devo escolher
Pois uma não quero perder
E fortes são nossas ligações

A paixão entre os números e os computadores
Ou a paixão entre a música e a arte
Meu coração sangra, se parte
Num grande show de horrores

Namoro o humano e o exato
Querendo ter, com eles, mais intimidade
E o pior e o mais chato
É que estou no último ano de faculdade...

Pretendo manter esse amor a três
Uma traição a que me permito
Pois há na lógica, um lado bonito
E há na beleza uma lógica, por sua vez.


(Daliana Medeiros Cavalcanti – 17/03/2004)

Crucifixus

sexta-feira, 7 de setembro de 2018


Culpas colossais
Invadem minh'alma
E roubam-me a calma
Que já não sinto mais...

Remorsos soturnos
Na vida interferem
E em meu seio desferem
Pesares noturnos...

Dor abissal
Tão forte e presente
Que marca minha lente
Com água e sal...

A vista embaça...
O olho mareja...
E não tem o que tanto deseja...
Pois a fé que tanto despeja
Está cada vez mais escassa...
Passado que não passa...

Confissões sufocadas
Querem ganhar som:
Ritmo, intensidade e tom
De palavras faladas...

Palavras emudecidas
Que almejam liberdade,
Perdão e saudade...
Jamais esquecidas...

E assim, carrego a cruz
Com todo o peso do antigo
Buscando, em um ombro amigo
Alcançar a mais plena luz...


(Daliana Medeiros Cavalcanti - 07/09/2018)

As Barbas Azuis

quarta-feira, 22 de agosto de 2018


Ele se move sorrateiro
Nas sombras de minha mente...
Meu voraz carcereiro
Do subconsciente...

Que engana e ilude
Minha cabeça de menina
Com promessas de virtude
Na aurora da campina,
Mas na menor inquietude,
Ao dobrar a esquina,
Ele muda de atitude...
À noite, na surdina...

De forma bruta e impiedosa
E sem que se desculpe
Me sinto horrorosa
E em meu peito se esculpe
A besta torturosa
Que me invade e me culpa...
Desfolhando minha rosa...

Noite e dia, dia e noite
É travado outro duelo
E há dias de amoite,
Quando a criança revelo
E há dias de afoite
Quando a guerreira ergue seu martelo

E nesse embate duro
Causado pela inocência
Luto para sair do escuro
Conectando com minha essência
Abrindo portas, derrubando muro
Para o despertar da consciência"


(Daliana Medeiros Cavalcanti - 20/08/2018)

Minha religião

quinta-feira, 16 de agosto de 2018


Que creio, senão no invisível,
E nos enigmas do subconsciente...?
No absurdo e no plausível...
No poder do sentimento e da mente...?

Que emano, senão o abstrato,
Com teor de energia tão concreto
Onde mistura-se a crença e o fato
E emerge em forma de afeto?

Que colho, senão o aplauso
À oração entoada em voz
Do canto, sagrado, em causo
Que ondula e se encontra na foz?

Que louvo, senão o humano,
O carnal, o vulgar e o divino,
O corpo sacro e profano,
Templo do desejo clandestino?

Que cultuo, senão a arte
E sua imensurável criação
De um mundo tão aparte,
Mas que parte do coração?

Que adoro, senão o sabor
Do intangível e do palpável
Doce sentimento de amor
Indescritível e inefável...?

E fica a pensar e intuir...
A refletir e a cantar...
Sempre buscando o devir...
Sempre a me doar...
Até o dia em que eu partir...
Até o último resquício do ar...
Quando a chama se extinguir...
Quando meu canto se calar...
Quando meu corpo se indefinir...
Quando minha alma virar mar...


(Daliana Medeiros Cavalcanti - 15/08/2018)

Crisálida

domingo, 13 de maio de 2018


Quem revive em memórias
Está mesmo revivendo?
Relembra-se as histórias
Ou as está remoendo?
São elas satisfatórias
Ou ainda está doendo?

Pergunto-me de novo e de novo...
Mas nenhuma resposta é o bastante...
Meu Deus do céu, que estorvo!
Não importa a vontade incessante
De mudar as questões que promovo
E de reviver o instante...

O instante eterno na mente
E findo na realidade...
Verdade do consciente
Que quer ser palpável verdade...
De trazer ao presente...
De matar a saudade...

Saudade de tudo o que era...
E que agora é passado...
Mas como se espera
A volta do que foi mudado?
Saudade é de quem esmera
Vivências e o ser amado...

E eu, mulher transformada
Converto lágrimas em poesia,
Querendo ser remodificada
Para viver o que vivi um dia...
Enquanto isso, sofro sempre calada...
Sempre amando em demasia...


(Daliana Medeiros Cavalcanti - 14/05/2018)

Proesia

sábado, 7 de abril de 2018


A paixão é o combustível da poesia.

Todo poeta que se preze tem que estar apaixonado por alguém ou por alguma coisa, nem que seja pela ideia de morte.

Se não estou apaixonada agora, qual o meu combustível?
O que me alimenta e me faz querer escrever?
Quem ou o que faz meu coração palpitar tanto a ponto de querer registrar, no papel, minhas angústias, desejos, dores, sonhos e suspiros em rimas limitadoras, mas que me libertam o coração?

A vida...? É de comer?

Se de paixões eu vivo
E, no entanto, nada sinto
Meu viver seria extinto
Pelo vazio afetivo?

Seria a vida a paixão
Restrita aos sujeitos
Sós e insatisfeitos
A perder a razão?

E a razão, o que é?
Será o limite do sentimento,
Imposto pelo pensamento
Ou a unidade da fé?

Fé em quê?
Ou em quem?
Tem que ter alguém?
Tem que ter um porquê?

Por que me divido
Se sou inteira?
E se incerteza é costumeira,
Por que duvido?

Vivo a falsa dicotomia
Prosa e poesia
Que se unem e se completam
Que conversam e afetam
A vida da artista
Que na arte da conquista
Falha e está inerte
Mas produz e se diverte
Enquanto seu coração se parte
Em fagulhas de arte

E continua sem resposta...
Talvez, o que ela gosta
Seja apenas questionar
Como viver ou como amar
Sem a existência de um semblante
De uma paixão ou um amante...
Uma razão para suas rimas!
Seus carinhos e suas estimas,
Que se voltam para quem sente
Com o coração e a mente,
A sua arte em texto e voz,
Numa paixão selada por nós...
No momento presente...


(Daliana Medeiros Cavalcanti – 08/04/2018)

Demonstrativo

sábado, 24 de março de 2018


Esse é o lamento
Da poetisa
Que de amores precisa
E não os têm...

Esse é o momento
Da lágrima que nasce
Sem máscara ou disfarse
E que se mantém...

Essa é a dor
Registrada em poesia
Em rimas e caligrafia
Sem figura ou imagem

Essa é a cor
De desbotada matiz
Onde não é possível ser feliz
Dada a presente paisagem...

E é como me sinto:
Solidão e só
Solidão e só...
Sem o vislumbre da sorte...

E é assim que me tinto:
Sofrimento e tristeza
Sem sentido e coesa
Com um leve sabor de morte...

E assim eu vivo...
Existindo na arte
E existindo pela arte
Sem mais razão ou motivo...


(Daliana Medeiros Cavalcanti - 24/03/2018)

Alma fechada

sábado, 10 de março de 2018


Em teu nome,
O mar e a estrela.
Em tua mente,
Só raiva e rancor...
Onde deliberadamente
Sou a causa de tua dor

Em teu olhar,
A ilusão e a mentira
E ao atuar
Guiada pela ira
Me dá fome
De querer esquecê-la...

Em teus lábios
O veneno escorre...
Morrem os sábios!
O senso morre!
E me humilhas
Com a culpa que compartilhas
Nos textos que discorres...

As tuas palavras
Sementes da discórdia
Que semeias e lavras
Sem misericórdia
Mostram o lado
Que não havia notado
Em teu ser disforme

E por isso, te indago
Qual a alegria em trazer a dor?
O erro fiz
O fardo trago
Pois queria com o labor
Te fazer feliz...

A admiração que por ti sentia
Foi-se embora com a amizade,
Perdida na nostalgia
Do que não sei se foi verdade...

Ferir-te não foi minha intenção
Nem trair tua confiança
Mas fechei meu coração
Ao resquício de esperança
De reaproximação

Que a distância seja constante
Que o silêncio se perpetue
Que o passado seja um instante
Que o vácuo continue

Fica a experiência
E uma cicatriz imensa
De tamanho abissal...
De um erro que não fiz por mal...
Que fiz na inocência
E deixou a relação tensa,
Mas que no tempo atual
Onde empatia há ausência
Que impere a indiferença.


(Daliana Medeiros Cavalcanti - em algum dia de fevereiro de 2013, completada e intitulada em 11/03/2018)

Aquarela incolor

Arte: Christopher Jobson

Sangra a alma...
Dói o coração...
Esvai-se a calma...
Transborda a emoção...

Cortam-me as palavras,
Pensamentos e atitudes...
O julgamento agrava...
E muito me desilude...

Esfaqueiam-me o peito...
E riem... e debocham...
Será que não veem direito
As lágrimas que em mim desabrocham?

Estraçalham-me e dilaceram!
Arrasto-me pelos cantos...
E meus auto-amores, aos prantos,
Já não são mais como eram...

E então, reduzida a pó,
Sinto-me cada vez mais só...
Sem uma alma viva a me entender...
"Não há tempo a perder"...

Sigo sofrendo calada,
Sorrio para disfarçar a dor...
De mim, não resta mais nada,
Nesse mundo cruel e sem cor...
Só uma esperança desbotada,
Quando tudo o que queria era amor...


(Daliana Medeiros Cavalcanti - 08/06/2017)

Suspiros e ânsias


Ah, se soubesses
O quanto, em ti, penso...
E do amor,
Por ti, tão imenso
Que tu tiveste
E não deste valor...

Ah, se ouviste
O palpitar triste
Do coração que te adora
E que por ti chora...
E pelo o que não existe...
Mas já existiu outrora...

Ah, se aceitasses
E encontrasses
Parte de ti
No rubor das faces
Que remeti
Em nossos enlaces...
Ah! Se me amasses!

Ah, cruel distância
Do tempo e do real...
E então, vivo em sonhos...
Que alimentam minha ânsia
De dias belos e risonhos
Onde sou tua, afinal...


(Daliana Medeiros Cavalcanti - 22/06/2014)

Solitude

quinta-feira, 11 de janeiro de 2018


Ela anda e chora...
Ela quer ir embora
E não sabe para onde...
Mas o que é que se esconde
Em sua mente agora?

Veem, mas não olham
As lágrimas que rolam
Carregadas ao vento...
Não há alento,
Nem olhar atento...
Só pessoas que ignoram...

Na multidão, ela sozinha,
A cada passo que caminha
Morre aos poucos com a lembrança
De tempos de esperança
Cujo amor, ela tinha...

Terra de cegos sem empatia
E ninguém a lhe fazer companhia
Exceto a chuva que começava
E com ela chorava
Lágrimas de simpatia

Todos correm, ela permanece...
E dos seus problemas, esquece
Pois a água da chuva acalma
Lava o coração e a alma
E a sua vida aquece

E então, ela percebe
Que cada gota que recebe
São de um amor bem conhecido:
O próprio, que havia esquecido
E dessa água, ela se banha e bebe...
E a solidão não fazia mais sentido.


(Daliana Medeiros Cavalcanti - 11/01/2018)

Omissão dos desejos

segunda-feira, 8 de janeiro de 2018


Sem perceber e sem notar
Ao descortino de seu pudor
Nas palavras que pronunciar
Vira o meu inquisidor...

Quer a mim, mas eu te quero...
Sua amizade... O seu anseio...
Para assim, ter o que espero...
Algo além de seu receio...

Só desperto o pensamento...
E a atitude adormece...
E é então quando acontece
O compartilhar do momento...
Da idéia que aquece
O desabrochar do sentimento
Que se omite, mas não se esquece...

Descobre o véu de sua mente
E revela os seus enigmas
E mostra, então, o que sente
Sem vergonha... Sem estigmas...

A dúvida, assim, perpetua...
Atormentando, assim, a mulher
Que sonha em um dia ser sua...
Aquela que ainda te quer
E cuja resposta jaz no silêncio...


(Daliana Medeiros Cavalcanti - 12/04/2009)