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A importância de saber quando desistir

sábado, 30 de abril de 2022



(Daliana Cavalcanti – 01/05/2022)


Eu ODEIOOOOOOOO desistir! Odeio, odeio, odeio, odeio e odeio! E caso tiver alguma dúvida sobre como me sinto quando tenho que desistir de algo, eu ODEIOOOOOOOOOOOO!!!

O texto já começa assim porque ainda estou um pouco chateada. Estou aprendendo a acolher mais a minha irritação, frustrações e fracassos, mas fico REVOLTADA comigo mesma quando desisto de algo e, hoje mesmo, era o último dia para se inscrever num concurso de canto e, infelizmente, eu não consegui gravar os vídeos a tempo, mesmo tendo articulado com a pianista para fazer as gravações e com meu cunhado, para me emprestar a câmera (inclusive, muito obrigada aos dois 💖).

Expectativa: eu marco dois ensaios, decoro duas peças novas (duas entre três músicas que tinha que cantar) e, finalmente, faço a gravação com um dia de antecedência para concluir as inscrições, pois assim, podia fazer tudo com uma certa tranquilidade.

Realidade: no dia da gravação, por estar com a musculatura muito fraca, devido ao pouco estudo durante a pandemia, das três músicas que tinha que gravar, só uma ficou boa e as outras me fizeram tossir, de tanto que forcei a voz e se continuasse, poderia ficar rouca ou afônica. Pelo bem da minha saúde vocal, tive que parar e a coisa boa era que havia a possibilidade de eu gravar no dia seguinte, até antes do horário da minha aula.

Dia 28 de Abril - Dia da Educação

quarta-feira, 28 de abril de 2021


Hoje, dia 28 de abril, Dia da Educação, eu vou falar um pouco sobre o ensino do canto, mais especificamente, no canto lírico, mas creio que algumas pessoas que gostam mais do canto popular também possam se identificar com esse texto.

Em minha experiência como aluna de canto lírico, eu já me deparei com vários(as) profissionais: desde professores(as) maravilhosos(as) que carrego no coração até hoje a professores(as) péssimos(as) e quando me refiro a eles(as) como "péssimos(as)", não é nem pelo fato de serem maus/más cantores(as) e sim, pelas ATITUDES que possuem ao ensinar.

Você ouve ou escuta?

domingo, 23 de agosto de 2020

Ilustração: Merijn Hos
Texto: Daliana Medeiros Cavalcanti


Essa pergunta soou estranha para você?

Talvez seja mesmo, mas antes de responde-la, você sabe a diferença entre “ouvir” e “escutar”?
Para melhor dialogar com essa reflexão, citarei a Nicole Jeandot, uma educadora e autora do antigo livro “Explorando o Universo da Música”, que traz um interessante conceito sobre a “escuta sensível e ativa” para crianças.

Ela diz que:

“Para ouvir, basta estarmos expostos ao mundo sonoro e possuirmos o aparelho auditivo em funcionamento. Nunca cessamos de ouvir, de receber as impressões dos ruídos, dos sons. ‘Não podemos fechar a porta aos sons: não temos pálpebras auditivas.’ (Herbert Marshall McLuhan)

A escuta envolve interesse, motivação, atenção. É uma atitude mais ativa que o ouvir, pois selecionamos, no mundo sonoro, aquilo que nos interessa. Dessa maneira podemos perceber na música seus elementos constituintes, como a tonalidade, os timbres, o andamento, o ritmo, etc.

A escuta também envolve a ação de entender e compreender, ou seja, de tomar consciência daquilo que se captou através dos ouvidos.”
--------------------------
A citação é um pouco longa, mas explana bem essa diferença.

Alguns de vocês devem se perguntar “mas Dali, você estava falando sobre história da ópera, falou sobre canto lírico... O que diabos ‘ouvir e escutar’ tem a ver com isso?” e eis que eu respondo: TUDO!

Precisamos escutar os instrumentos para cantarmos no momento certo. Precisamos escutar as dicas técnicas das(os) professoras(es) de canto, das(os) coaches e das(os) profissionais que estão nos orientando. Precisamos escutar o colega ao nosso lado e parar de enxerga-lo como um rival e sim, como um colaborador. Precisamos escutar a regência. Precisamos escutar a direção cênica. Precisamos, antes de tudo, ter uma escuta que não se restringe à audição, mas ao corpo todo e à percepção consigo mesma(o) e com a(o) outra(o) em termos de cena e, acima de tudo isso, como uma filosofia de vida. Tudo está interligado.

Baby (Paródia) - Fora Bolsonaro

quinta-feira, 19 de março de 2020



Eu que fiz essa paródia e bom... Eu sou bem insegura cantando popular (sou do canto lírico, portanto, relevem umas coisinhas, ok? 🙈 Hehe!), mas quis lançar meu protesto em forma de música e espero que gostem.

Clique abaixo para ouvir a paródia:



Voz e letra: Daliana Cavalcanti
Paródia da versão de "Os Mutantes"


PS.: Acabei acelerando o andamento nuns tempos pq, afinal de contas, estou cantando à capella, logo, não tem instrumento pra me acompanhar e ia ficar um vazio/silêncio grande... 😅




Lord I want to be a Christian

sábado, 15 de dezembro de 2018


Mais uma brincadeira despretensiosa, onde canto um trecho de alguma peça de coral e canto todas as vozes só pra sentir a harmonia e, simplesmente, brincar.

Infelizmente, essa música, em especial, é um Negro Spiritual e como muitas peças desse gênero, foram escritas por negros em muito sofrimento e, no caso dessa música, em processo de evangelização (ou imposição religiosa, né?), durante a época da escravidão só que, estamos falando da escravidão negra que aconteceu nos Estados Unidos.



Essa música é de uma beleza e de uma tristeza grande e que me tocaram muito, quando estava aprendendo a cantar em coro.

No caso, essa música é para coro misto (soprano, contralto, tenor e baixo), mas como minha voz no tenor e no baixo é uma porqueira, por motivos óbvios, transpus tudo uma oitava acima e transformei num coro feminino. Não tive pretensão nenhuma ao fazer isso. Somente quis brincar e tornar as coisas mais fáceis e confortáveis para mim.

Espero que gostem de mais uma dessas brincadeirinhas bobas que faço para me distrair e me alimentar... Sentir que estou criando algo e fazendo arte, pois assim, sinto que minha vida tem mais valor e mais significado do que algumas vezes, quando passo um longo tempo sem produzir/criar/fazer arte.

Carta aos artistas: olhar, escutar e despir-se

quinta-feira, 25 de outubro de 2018


Boa tarde! Como estás?

Pode parecer estranho começar com uma pergunta que alguns irão responder e outros não, por estarem se relacionando com um papel ou com uma página virtual, mas quero lembrar que por trás das palavras, existe uma pessoa, que é esta que está digitando esse texto-diálogo com vocês e por isso, peço licença para me comunicar COM você: como você está?

No momento, estou atravessada por uma série de questões. São questões políticas, pessoais, filosóficas e artístico-profissionais, uma vez que escolhi a arte como profissão.

Este ano, entrei no curso de Mestrado em Artes Cênicas e, portanto, falo na condição de uma pessoa das artes cênicas, que está experimentando esse tipo de arte e, ao mesmo tempo, de alguém que esteve muito tempo fora, até encontrar este meio... Este percurso...

Neste sentido, cada vez mais, me enxergo como não apenas uma pessoa da música e da poesia, mas alguém do teatro. Ainda não me vejo como atriz, pois tenho muito o que crescer e aprender nessas relações com meu próprio corpo, que têm se desenrolado lenta e gradualmente e preciso de mais segurança para entrar em cena, expor o meu corpo e dizer com segurança e sem receios “sim. Eu SOU ATRIZ também”.

E por falar em corpo, não consigo deixar de admirar a relação que os atores têm com os corpos deles... Muitos desses alunos e professores estão conectados com os próprios corpos e são artistas que colocam o corpo a serviço da arte, a ponto de se despirem e mostra-lo tal como ele é: peitos, barriga, sexo, lugares com e sem pelo, cicatrizes, estrias, celulites, manchas, sinais, marcas de bronze... Corpos magros, “meio-termo”, gordos ou musculosos, de vários tamanhos e formas... Corpos que física ou abstratamente, estão nus e à disposição do público.

É fascinante essa relação com o corpo-mente que eles possuem e o ato de se desnudar requer muita coragem. Se despir para alguém é falar... É comunicar alguma coisa e escutar as reações do outro para com este corpo nu, sejam elas quais forem. As reações à nudez também são escutas do outro e dependendo da reação, comunicam pensamentos sobre aquele despir. E apesar de admirar a coragem desses artistas, confesso não conseguir ter a coragem necessária de fazer o mesmo fisicamente, mas me desnudo de outras formas.

Esses dias, tive muito contato com performances. Elas têm me provocado bastante e é impressionante a disposição do corpo em muitas dessas performances. Não deixo de admirar a coragem dessas pessoas e de admirar as mensagens que elas comunicam com seus corpos e sua criatividade artística e não deixo de lamentar as mentes das pessoas que repudiam essas manifestações, em pleno século XXI, da era chamada de “pós-modernidade”, mas com pensamentos medievais, que ainda prevalecem em nossa sociedade.


Há dias atrás, houve outra performance onde corpos semi-nus, vestindo apenas suas roupas íntimas estavam pintados de branco, com várias suásticas ao redor do corpo, na cor preta. A performance consistia em outras pessoas lavarem o fascismo desses corpos com água e ervas cheirosas, como alecrim e alfazema. Tive a alegria e orgulho de participar dessa performance, lavando um desses corpos: o de uma grande e querida amiga.

E hoje, após a aula de Canto para o Ator I, um colega foi fazer uma performance contra um certo candidato à presidência da República, com pensamentos fascistas e para isso, ele molhou o chão e colocou as tintas verde e amarela, junto com fitas adesivas que perguntavam “você apoiou?” e se debruçou sobre aquelas águas coloridas, que constantemente secavam devido ao enorme calor, completamente nu. Em suas costas, havia escrita a palavra “coitadismo” e havia um pedaço de cabo de vassoura, também pintado de verde e amarelo, entre suas pernas e vários pedaços de pedras ao redor dele.

Ao vê-lo em cena e ao observar a própria maneira no qual eu olhava para aquele corpo nu, me alegrei por perceber que havia aprendido algumas das mais importantes lições que o teatro havia me ensinado: a olhar para o outro sem julgamento. É difícil fazer isso quando se tem uma mente tão inquieta, como a minha, mas me coloquei em estado contemplativo para tentar imaginar o que todo aquele conjunto de coisas estava tentando me comunicar e de que maneira aquela performance me atravessava.

Era curioso e engraçado perceber, claramente, a diferença entre quem era das artes cênicas e quem não era. Os atores, assim como eu, olhavam sem pudor, rodeavam aquele corpo prostrado e refletiam sobre aquela performance. As pessoas que não eram das artes cênicas não sabiam lidar com aquilo e ou olhavam com nojo, ou olhavam com vontade de rir ou, simplesmente, viravam o rosto porque queriam esconder sua vontade de olhar aquele corpo masculino, musculoso, nu e belo.

Mesmo atribuindo essas características físicas ao corpo do meu colega, não havia erotismo ali e é incrível a capacidade que algumas pessoas têm de não conseguirem separar uma coisa da outra e sempre atribuírem essas performances à imoralidade... Ao desprezível... Ao abominável... Ao pecado...


Sei que hoje, quando passo pelos lugares onde essas performances aconteceram, não vejo apenas manchas e tintas e sim, resíduos de corpos em estado líquido, que protestaram e se posicionaram no mundo, de maneira artística, e que marcavam o chão com o calor do furor que assolava suas almas descontentes e questionadoras. Aqueles resquícios de corpos que coloriam o chão era o passado se fazendo presente. Um registro imagético de manifestações legítimas, feitas por pessoas apaixonadas pela arte e pela vida, inclusive, daquelas que pensam que isso não é arte.

Nesse aspecto, é interessante evocar os pensamentos lógicos e exatos de minha primeira formação, em Bacharelado em Sistemas de Informação, que é também parte de mim e de minha história, enquanto também amante dos números e dos cálculos: é apenas um corpo nu. Só. Sem mais, nem menos e um corpo nu não deveria ser uma ameaça. Qualquer coisa que seja vista para além disso é interpretação pessoal e que tem a ver com o olhar de quem observa e suas respectivas individualidades e crenças. Se alguém se despe e você se incomoda com isso, talvez o problema não esteja no corpo nu do outro e sim, no seu corpo vestido e na sua mente revestida.

Mais uma vez, quero fazer associações em um âmbito metafórico. Se alguém se abre para você, é importante que você se coloque nesse lugar de receptividade e abertura. Essa nudez pode ser um jogo teatral... Ou um recital... Ou um amigo te contando algum problema... Se despindo para você das roupas que o cobrem e o sufocam... E nosso dever como artistas e humanos é acolher e abraçar aquela nudez, sem julgamentos. Escutar...

E então, me deparo com outra importantíssima lição, tanto do teatro, quanto da música: escutar. Escutar o outro nem sempre é fácil, ainda mais numa época em que todos querem falar, isolados em suas redes sociais, mas ninguém está receptivo ou pronto para ouvir. A não escuta hoje é tão gritante que me deparo com absurdos. Amigos que sofrem e se encontram e então, o amigo A fala para o B “terminei com meu namorado e estou sofrendo” e eis que B responde “e eu que, quando chegar em casa, tenho uma pilha de louça para lavar, porque meu marido não me ajuda em nada e tenho um filho que não obedece, desarruma tudo e só falta destruir a casa?” As pessoas não se escutam mais e associando a nudez, como estava fazendo, isso é tão surreal quanto se as pessoas estivessem nuas, uma de frente para a outra e a pessoa A dissesse “não gosto do meu umbigo. Eu o acho muito grande” e a B dissesse “e o meu, que tá todo desajeitado porque eu coloquei um piercing e ainda não cicatrizou?” Cada um olhando o próprio umbigo, querendo falar sobre ele e não estando receptivo para olhar o umbigo do outro e ouvir as inquietações sobre essa parte do corpo alheio.


Curioso perceber somente agora que após treze anos cantando no Grupo de Ópera Canto Dell’Arte, quatro anos no Curso Técnico de Música, cinco anos no Bacharelado em Música e caminhando para dois anos e meio em teatro, essas artes (música e teatro) sempre me colocam num lugar de muita fala, mas muita escuta também. Confesso que já teci julgamentos sobre algumas pessoas, mas quando elas conversavam comigo... Quando elas se despiam para mim, eu compreendia o porquê de muitas coisas e ao contemplar a nudez delas, pude abraça-las e ajudar da melhor forma possível. Não ouvi-las, seria quase como se eu dissesse “vista-se, por favor, e vá embora daqui” e eu jamais faria isso com pessoas que precisam desabafar, ainda mais quando eu posso emprestar meus ouvidos e olhos a elas...

Meu canto é um desabafo... Uma nudez de alma onde exponho minhas cicatrizes e saio vitoriosa por enfrentar minha timidez. Talvez seja por isso que minha voz seja tão grande – as cicatrizes são muitas e a mudez também, portanto, se você ouve o meu cantar, te agradeço pela contemplação do meu despir e por emprestar seus ouvidos, momentaneamente, para abraçar este corpo-voz, com todas as suas belezas e defeitos que ele possui, mas que é o meu corpo e é o que posso oferecer a ti.

Portanto, caro leitor, a fins de agradecimento e reciprocidade, volto a perguntar: como vai você? Por favor, deixe-me abraça-lo nu... Despido de qualquer veste que esconde sua alma e encobre a centelha de vida que quer reluzir para fora de seu corpo e ilumina todo aquele que se dispõe a te contemplar, em toda a sua verdade, beleza e fragilidade, emprestando os bens mais preciosos que alguém pode oferecer para outro alguém que necessita desse desabafo: o tempo e a atenção.

Escutar é amar. Exercer a escuta é qualidade de quem ama e o amor é o sentimento que fala com os olhos da alma, toca com o ar e escuta com o coração.


(Daliana Medeiros Cavalcanti - 26/10/2018)

"Dies Irae" do Requiem de Mozart

segunda-feira, 4 de junho de 2018


Lá vou eu brincar de coralzinho de novo, mas, dessa vez, com o trechinho inicial do "Dies Irae", pq já basta eu ficar doida com a melodia da contralto e da soprano. Não preciso ficar doida de vez pra saber as melodias de tenor e baixo, né? Vou deixar pros maestros/regentes enlouquecerem com isso. Hehe!

Mais uma brincadeirinha que espero que vcs gostem ^^

"A Orquestra" - Mozart a 5 vozes

quinta-feira, 24 de maio de 2018


Eu brincando de coralzinho de novo. Foi uma das primeiras peças que aprendi a cantar quando entrei no Coral da FARN, o primeiro coral onde cantei.

Estou cantando todas as cinco vozes, inclusive, brincando de cantar a voz dos baixos e dos tenores. Hehe! Espero que gostem.

Arranjo de "Peneirei Fubá"

domingo, 8 de abril de 2018


Uma de minhas brincadeiras de fazer arranjo de coro feminino (esse, em especial, está a 3 vozes) de umas musiquinhas, de maneira bem despretensiosa, cantando de qualquer jeito mais uma vez, afinal, tudo isso é uma brincadeira apenas. Uma diversão.

Espero que gostem!

Sobre Pablo Vittar e as comparações com Freddy Mercury

domingo, 17 de dezembro de 2017


Sim. Pabllo Vittar não canta bem, mas não se trata disso. Se trata da representatividade. Quantas drag queens vocês conhecem que fazem tanto sucesso quanto ela? Só tem ela mesmo, pois a maioria das drags só faz sucesso entre o meio LGBT. A Pabllo foi a única que está famosa entre os heteros também e isso deve incomodar muita gente.

Se fosse só por cantar mal, pq não existe revolta com um monte de cantor sertanejo, funk e, enfim, um monte de música PÉSSIMA que existe hoje em dia, mas existe com a Pabllo? E olhe que tá CHEIO de cantor ruim por aí e que o povo aplaude e dá o maior valor. Eu, pessoalmente, acho um absurdo o Luan Santana ganhar prêmio de melhor cantor do Brasil, quando existem muuuuuuuuuuuitos caras muuuuuuuuuuito melhores do que ele, mas, enfim...

Cantar bem ou mal tem nada a ver com a sexualidade ou com identidade de gênero. Tem hetero que canta bem e hetero que canta mal e, do mesmo jeito, LGBTs que cantam bem e uns que cantam mal. Tem nada a ver comparar ele com o Freddy e outras pessoas LGBTs, até pq a identidade de gênero/ sexualidade/ estilo, etc deles é BEM diferente. Freddy era cantor de rock e era bissexual/gay e Pabllo canta uma mistura de tecnobrega com forró e um monte de coisas e é drag queen. Pq a comparação? O que uma coisa tem a ver com outra?

Enfim... Falando algumas verdades...

PS.: colocando uns vídeos do Rizzih imitando a Pabllo... Por motivo nenhum! Hahaha! Somente porque achei a imitação e homenagens hilárias e maravilhosas!



Esboço de arranjo - Girando com a roca de fiar

domingo, 29 de outubro de 2017


Brincando de "coralzinho". Hehe! Gosto de fazer pequenos arranjos para voz e juntar, como se todas as vozes que canto fossem um coral, só para brincar. Ainda vou ver se crio vergonha na cara (e tempo) e sento para tentar me desenvolver como compositora.


PS.: como são brincadeiras bobas, não estou cantando com uma "super-técnica", nem nada. Só estou brincando um pouco, mas um dia, quem sabe, faço uma gravação de vergonha, baseada nessas ideias iniciais.

Motivos pelos quais eu não divulgo vídeos meus cantando

sexta-feira, 29 de setembro de 2017


Muita gente já me disse: "Dali, pq vc não coloca seus vídeos cantando no Youtube? Seria excelente para vc ficar reconhecida, menina! Se joga!"

E muita gente não entende, mas CLARO que já pensei nisso várias, várias e VÁRIAS vezes. Claro que seria ótimo se conseguisse mais reconhecimento do meu trabalho e tal, mas também tem muitas outras questões que explico e ainda assim, não entendem. Vamos lá a alguns pontos:

1) O canto lírico é uma arte super-exigente e as pessoas que fazem parte dele tmb são SUPER-exigentes, sejam elas maestros... Produtores... Professores... Coaches... Os próprios cantores... O público que entende (não o leigo)... É tanta exigência que chegar à perfeição é impossível (não existe nada perfeito em qualquer aspecto da nossa vida, na verdade), mas claro que devemos estudar e estudar até nos aproximarmos da perfeição. Não tem como ser um bom cantor sem estudar, mas nossa... Alguns comentários no Youtube me assustam. É claro que não sou famosa como vários cantores, mas criticam tão duramente, como se fossem os próprios compositores que escreveram e "têm certeza do que pediram em suas obras" que é assustador... Claro que tmb existem pessoas gentis que elogiam ou fazem críticas positivas, mas tem gente que derruba e não está nem aí e ainda mais no mundo hoje, que está cada vez menos empático, as pessoas são estúpidas mesmo e estão pouco se lixando para os sentimentos do cantor, seja ele iniciante ou não;

2) Na verdade, acho que esses pontos todos tratam todos a mesma coisa, mas continuando o pensamento anterior, a exigência excessiva faz com que eu não sinta a menor confiança em postar meus videos, pois tem gente que coloca os vídeos no sentido de se promover e acaba se queimando, na verdade e isso é reforçado pelas mesmas pessoas que fazem parte do "mundo da ópera" e que citei acima;

3) Existe um problema grande por parte dos professores também (e não falo isso me isentando dos meus erros como aluna, nem dos erros de outros alunos), pois muitos são excelentes cantores, mas como nunca estudaram pedagogia e, tampouco têm essa coisinha mágica chamada "empatia", eles não querem saber o que você tem ou passou, não querem saber se você está bem, não querem saber do aluno. Muitos só visam o status, quando o aluno é bom e querem o dinheirinho da aula, mas isso é tão mecânico... Nossa! Nem parece que lidam com arte! Arte é uma CIÊNCIA HUMANA!!! Se você está cagando e andando para o seu aluno, em algo específico da MÚSICA, logo, ARTE, com um instrumento complexo e delicado como o ser humano, por que vc é professor? Nossa! Tem uns professores maravilhosos e que amo de paixão!!! Até viro fã deles(as), mas tem outros em que você se sente um lixo e sente que nunca vai ser nada na sua vida pq nunca tá bom e eu não falo isso pra os professores chegarem "babando o ovo" dos alunos não, até pq professor baba-ovo transforma os alunos em pessoas presunçosas e arrogante e, honestamente, no mundo da Arte como um todo tá CHEIO de pessoas assim... Com o ego lá em cima... Difícil é achar uma pessoa humilde. Humildade é um diferencial que poucos artistas possuem. Mas também não é para o aluno se sentir uma merda! Como alguns professores não se importam em saber como é o aluno, tratam todos com a mesma grosseria e muitos acabam até desistindo de cantar ou acabam ficando depressivos.

Pois bem... E é aí que eu entro, pois por mais que esteja cantando há AAAAANOS e saiba que comparada a quando comecei (que sabia nada), melhorei muito, eu não me sinto confiante o suficiente para tornar público um vídeozinho sequer, cantando nem que seja a coisa mais boba do mundo de canto lírico. Tenho vontade, mas não tenho essa confiança ainda.

Me irrita também o quanto as pessoas caem no simplismo e acabam te taxando, mais uma vez, sem nem saber sua história... Sem nem saber como vc se sente... Sem saber nada... Te julgam como preguiçoso(a) pq vc não está estudando o suficiente e dizem "é só estudar". Estudar é algo meio óbvio, não?  Hehehe! Qual o cantor lírico que fica famoso como sendo alguém muito bom (logo, nada de Florence Jenkins) sem estudar? Estudar não é uma escolha ou opção no canto lírico. Vc tem que estudar e acabou, mas pré-julgamentos são terríveis e vamos combinar que além do estudo, para ter sucesso, tem que ter esforço... Oportunidades... Algum dinheiro (não, necessariamente, ser rico, mas masterclasses, cursos, festivais, aulas de canto [se vc não estiver na graduação]... TUDO custa dinheiro)... QI... E aí é até muuuuito paradoxal que muitos artistas sejam contra a meritocracia, que é um discurso muito mais comum da ridícula onda conservadora que está se espalhando no mundo, mas acabam caindo nela quando se trata desse aspecto e acham que se vc não conseguiu sucesso, adivinhem só: você não estudou ou não se esforçou o suficiente! Olha que maravilha!  E, mais uma vez: vocês conhecem a pessoa para saber se foi isso mesmo?

Sei que estamos num mundo quase todo Capitalista, que querem cada vez mais profissionais prontos e como tudo exige pressa, muitos acabam se mecanizando, mas o professor não pode fazer isso, nem o aluno, senão, não tem arte. Mais uma vez, não estou dizendo que o professor tem que "alisar" o aluno.

Enfim... EU escolhi essa arte, que ainda tenho muito a aprender pq é o que eu amo. Já sabia que era algo exigente, mas só depois que vc começa a estudar é que vc vê que é muuuuuuuito mais exigente do que vc pensava e quanto mais vc estuda, menos vc sabe que sabe. A questão não é "baixar o nível" e sim, baixar o ego... Ter mais empatia... E, realmente, causar uma reflexão no meio mesmo...

Só sei que já li textos de gente que acha que "a ópera (que é o que amo mesmo) é uma arte que está morrendo", mas, sinceramente, com essa atitude de um derrubando o outro por ego, não tem como fazer com que ela sobreviva.

Se vc leu até o final, muitíssimo obrigada. É um assunto muito delicado, até pq boa parte das pessoas que conheço são da área, mas eu achei que tinha que falar, tanto pro pessoal que vive me perguntando pq eu não coloco vídeos, como pra que a galera da música, em especial, do canto e da ópera reflita um pouco sobre tudo isso que falei.

Mais amor, por favor. O mundo precisa DEMAIS!!!

Arranjo da Abertura de Steven Universe - versão curta e em inglês

sábado, 6 de maio de 2017


Eu mesma que fiz, ouvindo a abertura e criando esse pequeno arranjo a 3 vozes. Teve um trechinho que ficou meio uó, mas enfim... Espero que gostem. Hehe!


Impressões sobre o GLOMUS 2017

segunda-feira, 23 de janeiro de 2017


Nossa... O que dizer ou como definir todos esses dias que passei no Glomus? Não tem como! Não tem como definir com palavras essa experiência maravilhosa e transcendental...

(Prepara que lá vai o textão)

Foram tantas as lições que aprendi que será impossível listar tudo aqui, mas tentarei... Hehe!

1) É maravilhoso conhecer culturas TÃO diferentes... Tinha muita gente da África do Sul, Finlândia, Gana, Dinamarca, China, Austrália, Aruba, Geórgia, Palestina, EUA, Mali, Moçambique, Irlanda, Estônia, Letônia, Egito, Malásia, Indonésia, Itália... Foi uma experiência incrível ver algumas pessoas em seus trajes tradicionais, tão orgulhosas de mostrar sua cultura e compartilhá-la conosco e também tão interessadas na nossa cultura. Foi algo muito lindo e interessante de se ver.

2) Gente, vou dar uma "caetanada velosada", mas: O MUNDO É LINDO!!! As pessoas do mundo são lindas... TUDO É LINDO!!!      Sério! Estou encantada com a beleza tão particular de cada pessoa. Foi tudo muito especial e único.

3) Quem me conhece, sabe o quanto tenho elogiado a Arte de um modo geral. Talvez porque comecei a abraçá-la e me sentir cada vez mais parte dela... Eu consigo compreendê-la cada vez mais e vejo o quanto ela é imprescindível ao mundo, mesmo que tanta gente discorde e ache besteira... A Arte humaniza as pessoas e quebra barreiras. Era INCRÍVEL ver o quanto a Arte rompia tudo! Quando uma música brasileira com raízes africanas ou as próprias músicas africanas tocavam, não importava o idioma ou de onde vc era: o que importava era o brilho no olhar das pessoas que dançavam com você e aí, não havia mais nacionalidade, nem raça... Só haviam pessoas se divertindo e compartilhando amor e alegria.  Não só a dança, mas a música também faz isso e o teatro. Quando as performances teatrais eram executadas, as poucas palavras faladas foram "da", "ala" e "mix" e todo mundo entendeu a linguagem do corpo e o que a "peça" mostrava... E na música, foi engraçado quando um americano falou que no small group dele, tinha gente que não falava uma palavrinha de inglês e ele ficou preocupado, mas quando essa pessoa tocava na guitarra, ele pensou "nossa! Esse cara é um monstro" e aí, ele pegou a guitarra dele também e aí, tocaram juntos, apreciando e admirando o som um do outro.

4) Foi muito legal ouvir uma professora americana reconhecendo que muitos americanos acham que os EUA são o centro do mundo, mas estar num evento como esse e ver TANTA GENTE de tanto canto diferente, ela percebeu que não são e as coisas que se aprendem aqui, na prática, são coisas que na vida acadêmica normal, levaríamos 4 semestres para aprender ou mais. Foi muito legal a fala dela.

5)
Esse evento foi um oásis no meio de tanto caos... Foi tanta coisa aprendida... Tanto carinho compartilhado e novos laços formados... Tanta bondade e gentileza das pessoas... É muito difícil ter fé quando vemos, nas notícias, coisas como a fuga dos presos de Alcaçuz... As chacinas... A queima de arquivo do avião com o Teori... Trump assumindo a presidência dos EUA (inclusive, uma americana foi quem citou esse item, não em termos do que acontece aqui, mas quanto à vitória do Trump). É muito bom ver que ainda existe amor, bondade e gentileza no mundo.

6) Outra coisa incrível nesse evento é você se dar conta do quanto você não sabe... Eu não sei NADA de cultura africana... Nem chinesa... Não sei quase nada, inclusive, da própria cultura brasileira e eu mesma fiquei chocada por isso! Tanta dança folclórica que nem conhecia... Umas que não sei nem o nome e sei nem por onde vai...

7) Reparei que quando existem cortes na verba para orçamento da cultura, não é no bolso da Cláudia Leite que o Governo tá mexendo não. São em eventos como ESSE, que pode trazer tanta coisa boa e importante para nós e, mais ainda, em artistas pobres, pois são ELES quem tentam manter o nosso folclore. O "Pastoril", "Caboclinho", "Bumba Meu Boi" não são culturas mantidas pelo Roberto Carlos... Nem pelo Michel Treló, nem MC Catra... São mantidas por pessoas bem pobres que, praticamente, vivem de tentar manter essa tradição viva... Uma tradição cultural que ninguém dá valor e que pode morrer por causa disso...

8) E aí, você se dá conta do quanto nossa cultura é muito rica sim. Os estrangeiros AMARAM os nossos ritmos. AMARAM!!! O povo não podia ouvir um forró que já estavam se jogando e uma bailarina/dançarina, inclusive, reclamou que ela sentiu falta de mais aulas de capoeira.

9) Vc vai aprendendo que mesmo entre tanta diferença, há MUITAS semelhanças... A música brasileira tem MUITO do batuque africano. Tem demais até! A música africana deixou marcas bem profundas na nossa música. A europeia também. Foi muito interessante assistir os finlandeses dançando e vendo que eles têm termos para guiar os passinhos de dança. Era muito semelhante à quadrilha junina e falei isso, inclusive, para uma finlandesa, citando o nome "quadrilha" e ela falou que até a palavra é parecida e quando ela pronunciou, era parecido demais mesmo! Depois, vou perguntar a ela o nome e coloco aqui!

10) Foi muito legal sair da zona de conforto e não apenas cantar e ficar na música, que é minha área, mas me aventurar no teatro (Teatro Físico, mais especificamente) e até dancei!!! E olha que eu sou uma tragédia dançando!!! Não sei dançar nada, mas foi MARAVILHOSO pq é muito divertido e eu, pelo menos, tentei, né?  Hehe! Saí da zona de conforto até nos idiomas! Me aventurei no italiano.  Na verdade, fiz uma mistureba infeliz de italiano com espanhol e inglês. Foi "lindo". XD Hahahaha! Mas eu e o italiano nos entendemos e rimos bastante. XD Haha! Até arrisquei umas duas palavrinhas em francês (aí, veio um francês falando com a bexiga e entendi NADA. Hahaha!). E até arrisquei um "obrigado" em finlandês e inventei de falar "eu te amo" em finlandês, só pra me amostrar pra professora! XD Hahahahaha!

11) Foi maravilhoso esse intercâmbio, onde houveram apresentações regionais, não apenas da nossa cultura, mas da deles também. Só na China, tinham uns 10 instrumentos que nunca vi na minha vida! O que mais me impressionei era um que parecia um órgão, mas era de sopro. Achei fascinante aquele instrumento! Não só pudemos ver as pessoas tocando as músicas de suas próprias culturas como também misturaram e colocaram as pessoas para estudar um pouco outras culturas e apresentá-las... No coro, todo mundo cantou músicas em dialetos indígenas brasileiros e no nosso bom e velho português... E as Jam Sessions eram INCRÍVEIS!!! Era tudo improvisação e aí, vinham guitarras, percussão do Mali... Uma finlandesa dançando flamenco... Canto árabe ou estoniano... Noooooossa! Foi uma mistura linda e maravilhosa! E quando entrava a percussão africana, não tinha pra ninguém! Hehe! A galera se empolgava e ainda lembro que no Solar Bela Vista, onde foi a primeira Jam Session, os caras estavam tocando há mais de 2h e o público ainda doido e animado! Amando tudo e pedindo "mais um! Mais um!"

12) As pessoas adoooooooooooram repetir frases como "o povo daqui não gosta de cultura". Inclusive, eu me incluo nessas pessoas, às vezes. E gente... TODOS os dias de apresentações do Glomus, LOTOU de gente. LOTOU!!! Não cabiam mais pessoas e desde o primeiro dia, quando teve a apresentação de abertura do evento, um monte de pessoas ficaram sem poder entrar de tão lotado que estava e olha que o auditório do Holyday Inn tinham uns 1.100 lugares! Isso é a cara de um povo que não gosta de cultura? O povo de Natal está FAMINTO por cultura e fico feliz de ver isso com o Glomus e com o Grupo de Ópera Canto Dell'Arte, no qual faço parte.

13)
Descobri onde vende cabelo natural aqui em Natal. Hahahaha! Foi uma verdadeira saga, mas consegui achar os lugares, mas tipo... É facada... ^^'

Enfim... Esse curso incrível foi uma verdadeira aula pra mim... Aula não só de música, dança e teatro, mas de Geografia... Ética... História... Idiomas... Uma aula da vida! :) De quebra de preconceitos... De muito conhecimento que adquiri e de muito que ainda devo buscar... De rever velhas amizades e conquistar novas...

Foi maravilhoso e indescritível! Muitíssimo obrigada à EMUFRN e a todos da GLOMUS que tornaram esse projeto possível.      

Review de "Quem é essa mulher"?

quarta-feira, 23 de novembro de 2016


Nota de 1,0 a 5,0 = 4,5

Gênero = Comédia


Antes de mais nada, gostaria de dizer para as pessoas que traduzem os títulos de filmes para algo que tem nada a ver para POR FAVOR, NÃO FAZER ISSOOOOOO!

Sério... Parece falta de criatividade... O nome do filme original é "Florence Foster Jenkins" e como ela não foi uma pessoa muito conhecida, principalmente por quem não está acostumado a ouvir canto lírico, muitas pessoas não sabem quem ela é. Até parece que quando foram decidir o nome do filme, uma pessoa se perguntou para a outra "quem é essa mulher?" e responderam "não sei" e aí, pronto. Ficou "Florence, quem é essa mulher" mesmo.

Tirando esse detalhe, o filme é muito bom!

No elenco do filme, nada mais, nada menos que a "papa-Oscar" de Hollywood: Meryl Streep! Ela, como sempre, maravilhosa e tmb o charmoso Hugh Grant e o Simon Helberg, que também interpreta o Howard da série "The Big Bang Theory".

Florence Jenkins era uma ricaça que achou que já estava pronta para cantar ópera e como não havia ninguém que lhe dissesse o contrário, ela se apresentou várias vezes e, inclusive, apresentou no renomado teatro Carnegie Hall. 

De início, achei que as pessoas a mimavam porque ela era rica e sim... Alguns mimavam ela por esse motivo e outros, principalmente os que realmente se importavam com ela, não falavam a verdade por outros motivos que não vou contar, para não fazer spoiler.

A Florence real à esquerda e a Meryl Streep, à direita, encarnando-a


Apesar de ela ter tudo o que quer nas mãos (professores de canto e maestros de fazer inveja a qualquer estudante de canto lírico, excelentes instrumentistas para tocarem com ela, etc), ela não era uma mulher arrogante. Ela era mimada por todos, mas era muito generosa, fazia doações a instituições de caridade e ela incentivou o cenário da ópera, com o dinheiro e influência que possuía.

O que talvez algumas pessoas não saibam é que essa história é baseada em fatos reais. Essa mulher REALMENTE existiu e vocês podem conferir todo o... "talento" dela no vídeo do Youtube abaixo, onde ela canta a super-conhecida ária da Rainha da Noite "Der Hölle Rache" da ópera "A Flauta Mágica" de Mozart:


Às vezes, me pergunto se ela nunca ouviu suas próprias gravações para perceber que... "Tinha alguma coisa errada ali"... E é incrível perceber que essa história foi real. Claro que o cinema sempre romantiza um pouco, mas tudo aquilo aconteceu mesmo.

Interessante também ver que a Meryl se desafinou para parecer, o máximo possível, com a Florence cantando. Hehe! Mas os áudios do filme são a Meryl que canta, imitando e interpretando-a.

Mas enfim... A comédia traz uma belíssima mensagem no final que vale a pena conferir e que faz, principalmente, quem trabalha com a arte e o canto (não apenas o lírico) se emocionarem (ou eu, pelo menos, me emocionei)... Essa mensagem foi o que mais me tocou e me fez gostar ainda mais do filme e a valorizar ainda mais a minha profissão como cantora lírica.


Confiram pq o filme é bem legal sim!

Beijos e valeu!

Review de "Geliebte Clara"

segunda-feira, 15 de agosto de 2016


Nota de 1,0 a 5,0 = 4,5

Gênero = Romance / Drama

Achei muito legal a iniciativa de se fazer um vídeo sobre a pianista e compositora Clara Schumann, tão pouco estudada e conhecida na História da Música.

O filme é uma produção franco-germano-húngara e é um pouco desconhecido, mas tive o interesse de assistí-lo, pois ao estudar música, percebi que pouco se fala sobre compositoras e, honestamente, até pouco tempo atrás, eu não conhecia nenhuma. Nem as escolas, nem os livros de história da música falam sobre musicistas do sexo feminino.

Pintura da Clara Schumann
Foi quando eu conheci a Clara Schumann, ouvi alguns de seus Lieder (canções alemãs) e tive o interesse de estudar mais a fundo sobre ela, as canções que ela escreveu e a vida dela como um todo.

Ao ler sobre a vida dela, me deparei com uma grande guerreira, cujo o filme, mesmo sendo muito bom, foi incapaz de mostrar todos os problemas que ela passou.

O filme ressalta a sua virtuosidade ao piano e mostra o quanto ela era conhecida por seus concertos. Ela era uma pianista muito admirada, mas não conta que, assim como Mozart e tantos outros gênios internacionalmente conhecidos, ela aprendeu a tocar piano desde pequena, com seu pai, e desde criança, já fazia concertos.

No filme, ela já está casada com o Robert Schumann e o ponto central da história, além de ressaltar o brilhantismo da Clara que a História não contou nos livros acadêmicos, é o relacionamento deles. A ficção, entretanto, não mostrou que bem antes deles se casarem, o pai de Clara (que, antes de se casar, se chamava Clara Wieck) era contra o relacionamento deles. Robert, que era 9 anos mais velho que ela, teve que processar o pai dela para conseguir que o casamento acontecesse.

Durante esse período do processo, que aconteceu por volta de 1840, Schumann estava bastante inspirado e compôs várias canções e ciclos de canções, o que deu o nome, a esse ano de "Ano da Canção". Um desses ciclos que ele escreveu foi o Frauenliebe und Leben (Amor e Vida de uma Mulher), que apresentei em meu recital e que havia sido dedicado à Clara.

Clara e Robert Schumann

Voltando à trama do filme, com o passar do tempo, Robert foi se sentindo mal e foi deixando de fazer várias coisas que ele fazia normalmente. Deixou de reger a orquestra... Não queria mais tocar piano... E a Clara foi assumindo todas essas responsabilidades.

Eu não sabia que a Clara, além de tudo, era maestrina. Ela regeu a orquestra e no início, muitos músicos da orquestra foram contra, pois não aceitavam a ideia de uma mulher regendo. Imagino que, na época, devia ter sido um escândalo enorme. Como eles tinham um concerto marcado, eles acabaram aceitando que a Clara os conduzisse.

Clara conduzindo a orquestra

Aos poucos, o estado de saúde de Robert foi piorando e descobre-se que ele tem algum transtorno mental, que foi piorando bastante.

Mais tarde, aparece o jovem Johannes Brahms, que se apaixona pela Clara e tenta ajudá-la como pode. A História conta que eles talvez tenham tido um relacionamento amoroso, mas não se pode afirmar com certeza, pois eles destruíram cartas e outros documentos que possam comprovar isso e o filme deixa essa relação entre eles bem dúbia.

Clara Schumann e Johannes Brahms

É triste perceber que a História pouco fala sobre a Clara Schumann, mas muitos sabem do triângulo amoroso dela com o Brahms, o que só apresenta o machismo presente no conhecimento acadêmico.

Aliás, falando de machismo, é impressionante ler sobre a vida dela e ver que não só os homens eram contra mulheres compositoras, mas as próprias mulheres se reconheciam como pessoas que deveriam focar em suas atividades femininas (ou seja: cuidar da casa e dos filhos) e com ela, não foi diferente. Mesmo com tanto talento e sustentando a casa com os concertos que ela dava, principalmente após a morte do marido, ela foi deixando, aos poucos, de compôr para cuidar de seus afazeres domésticos.

Geliebte Clara (Amada Clara) é um filme muito doce e lindo que mostra um pouco da história dessa impressionante musicista que, além de talentosa, teve uma vida muito difícil.


Com o agravamento da doença de Robert (que, ao que tudo indica, sofria de Transtorno Bipolar e ficou incapacitado de tocar porque feriu gravemente a mão), ela teve que cuidar de todos os afazeres domésticos sozinha; conforme ele foi parando de trabalhar e, mais tarde, teve que se internar num asilo, a renda deles diminuiu e eles passaram por muitos apertos financeiros; quatro de seus oito filhos morreram antes dela - um com apenas 1 ano de idade (lembrando que a mortalidade infantil, antigamente, era bem mais alta do que é hoje), outro desenvolveu a mesma doença que o pai e teve que ser "sepultado vivo" num manicômio... Senti falta dessas últimas informações no filme, que só mostram o quanto, além de tudo, ela era uma mulher muito forte.

E, para finalizar, se Schumann deve a alguém por ser tão conhecido, na música clássica, como ele é hoje, esse alguém é a Clara, que lutou para preservar seus trabalho e sempre os executava em seus concertos.

"Não podemos viver sem ciência, mas podemos viver sem cultura/arte". Será?

sábado, 14 de maio de 2016

Tradução: "Terra sem arte é apenas 'eh' "


Já ouvi até a imbecilidade de que "não podemos viver sem ciência, mas podemos viver sem arte/cultura". A-hã! Tá certo.

Se os homens primitivos não sentissem a necessidade de fazer as pinturas rupestres nas paredes e outras civilizações que estudamos não tivessem criado tantas outras formas de arte, JAMAIS saberíamos como era a sociedade de várias épocas, o que pensavam, como se vestiam... Como era a música... Como era a pintura... A dança... A arquitetura... Como a Arte se desenvolveu para as várias vertentes que temos hoje...

Na Grécia, os grandes filósofos eram também matemáticos, músicos, engenheiros e possuíam uma vasta gama de conhecimento em diversas árias (Pitágoras, Sócrates, Platão, etc). No Renascimento, como não lembrar de Leonardo Da Vinci e suas invenções e, mais ainda, de suas pinturas (interessante perceber que ele é muito mais conhecido por ter pintado a Mona Lisa e tantas outras obras belíssimas do que por ter criado, naquela época, os primeiros modelos de paraquedas, de tanque blindado, de roupa de mergulho submarino, entre outras invenções)? Ou de Michelângelo e suas esculturas? Da Vinci se utilizou de seus conhecimentos de matemática e ciência para elaborar suas pinturas e o Michelângelo, assim como Leonardo até dissecou cadáveres para compreender, com detalhes, a estrutura do corpo humano para poder esculpir da maneira mais detalhada possível.

Estudando o passado, podemos compreender o presente e o futuro e a Arte ajuda a fazer essa viagem histórica. Ela nos ajuda a transgredir o tempo... A nos lembrar que somos humanos... Se ela não fosse importante, não existiriam várias iniciativas para trazer alegria aos hospitais, com pessoas doentes e de arte nos hospitais, lembrando aos profissionais da saúde que eles não estão mexendo com um cadáver ou com um pedaço de carne, mas com um HUMANO, que tem uma história, uma vida, que é amado, odiado, tem suas fraquezas e fortalezas...

Se não fosse a Arte, muitas pessoas com problemas mentais estariam recebendo tratamento, por vezes, até violento e quem trouxe essa humanização através da Arte foi a psiquiatra Nise Silveira, que até já teve contato com o famoso psiquiatra e psico-terapeuta suíço Carl Jung.

Se não fosse a Arte, como vocês fariam quando quisessem se desligar, por um instante, das desgraças do mundo real? Com a TV só mostrando jornal e alguns programas aqui e acolá... Sem música... Sem dança... Sem shows... Sem exposições, nem pinacotecas... Sem poesia... Sem textos de cunho emocional... Sem cinema... Sem teatro...

A Arte não é "coisa de desocupado". Ela existe para enxergarmos o melhor nos outros... Para refletirmos... Para pensarmos... Para dizer que gostamos ou odiamos o espetáculo pq não tem o final "felizes para sempre"... Para nos identificarmos e nos conectarmos com os artistas... Para lembrar que temos alma e sem alma, somos só cascas vazias e sem sentido.



Tradução: "Sem arte, a crueldade da realidade faria o mundo insuportável"