Este é o canto do canto - um espaço para divulgar o trabalho da cantora lírica/de ópera, a soprano Daliana Cavalcanti e para falar sobre canto lírico, ópera, poesia e arte em geral.
É como se sempre estivesse presente, mas, apenas algumas vezes, revelasse a sua voz, por meio do canto lírico, como o canto de uma sereia, doce e poderoso, que ecoa à distância. Você revela a sua presença por meio de cantos e gemidos.
Será que é isso? Será que você é meu coração e o ar de meus pulmões, que inspiram, expiram e bombeia vida?
Eu te sinto no prazer... No prazer de criar... Fazer arte e criar amor...
Te sinto na reflexão e nas respostas sábias, como uma velha que diz, docemente e com sua voz enrugada de avó: "respire e relaxe. Dói, mas já passei por isso e sei que vai passar."
Se é assim, por que se cala diante da dor?
Onde você esteve em todo esse vale de lágrimas que percorri e derramei por pessoas que acham que te entendem, mas não entendem? Nem eu te entendo e, ao mesmo tempo, sim.
Estou confusa.
Será que, às vezes, não te sinto porque somos uma só e ou estamos muito conectadas, a ponto de não nos diferenciarmos mais ou muito desconectadas, pelas modernidades e intelectualizações que fazem parte da vida?
Sinto que ambas as coisas estão corretas e, às vezes, é difícil dar forma à dicotomia... Ao paradoxo... Ao contraste e ao controverso... Mesmo que essa forma seja feita de palavras...
Talvez seja por isso que seja água: você se molda de acordo com o meio em que é inserida e talvez por isso, seja tão difícil te definir...
Sei que te busco, mesmo sem bússola, nem rumo...
Uma rosa-dos-ventos, da água, do fogo e da terra, que paira no limbo do meu eu...
É presente, passado e futuro, longínquos ou no atual momento, que já ficou obsoleto, pois já escrevi e a cada palavra que escrevo, registro um passado recente e a cada palavra que penso em escrever, me pergunto "o que mais eu vou inventar? O que mais preciso te/nos dizer?"
Sei que te escrever me dá alívio... O alívio de parir...
Loba solitária, forte, presente, solidária, meiga e guerreira, te venero e admiro e anseio me apropriar de ti, cada vez mais, e de teu poder, pois somos uma só e te buscar, te encontrar, te acolher e te perceber são missões para a vida inteira e o alcance desse inteiro é um meio que essa vida fracionada faz para se completar.
Nossa... Quantas reflexões essa tragédia me traz...
Dentre elas, acho que a mais forte é de que nada dura à passagem do tempo. Mesmo a grande, imponente e belíssima catedral de Notre Dame: ninguém está a salvo do tempo e de todas as mudanças que ele carrega, inclusive da vida e da permanência de tantas vidas na Terra.
Outra reflexão que me vêm à mente é o próprio nome da igreja... Notre Dame significa "Nossa Senhora". Era uma igreja cristã dedicada a cultuar uma figura feminina, que era tida como uma divindade, por resquícios dos costumes pagãos, que a igreja católica incorporou, de adoração ao Sagrado Feminino (por mais que muitos não admitam, nem reconheçam isso) e vemos esse templo em chamas...
É claro que compreendo que o que causou o incêndio não foi algo proposital. O que se sabe, até agora, é que ocorreu em detrimento de uma restauração, que não foi tão bem sucedida. Mesmo assim e mesmo que não tenha sido intencional, reparem como é forte essa simbologia da destruição de um templo dedicado a uma santa, justamente em tempos onde o patriarcado grita escandalosamente, querendo retomar, à força, uma soberania que teve em boa parte do tempo, à base do sufoco, da agressividade e da violência contra a mulher... Soberania esta que estava sendo "ameaçada" pelo empoderamento feminino e que agora, mais do que nunca, tentam conter e minar, a todo custo, até mesmo na França revolucionária...
Segundo a reportagem, a catedral foi lugar de outros templos de adoração a outras figuras da mitologia greco-romana, como o Zeus/Júpiter. Agora, imaginem quantas e quantas pessoas daqueles tempos viram suas igrejas e seus lugares sagrados sendo destruídos para dar lugar a outras coisas... Quantas e quantas lágrimas foram derramadas por religiosos, que viram seus templos serem modificados para dar lugar a outras crenças e quantas e quantas vidas foram tomadas por causa disso...
E quanta importância nós damos a figuras, que nem temos certeza se já existiram, mas escolhemos depositar nossa fé e confiança nelas, a ponto de querer que outras pessoas acreditem no mesmo que nós, mesmo que isso implique a imposição da minha crença sobre outros e a ponto até de ter comportamentos agressivos e/ou violentos, quando sinto que essa fé foi desrespeitada e/ou que não depositam a mesma importância que eu dou ao que eu acredito... Ou mesmo, que não creem no que eu creio...
Outros pensamentos, não menos importantes, são os de vermos parte da nossa história e da nossa arte sendo consumida por chamas, mais uma vez, assim como aconteceu com o nosso Museu Nacional, aqui no Brasil, por não darem a devida importância à manutenção da estrutura do prédio e de todo o conteúdo ali existente...
Desvaloriza-se a arte, a educação, o conhecimento e a história (e agora, vejo que isso também é um fenômeno mundial e não apenas daqui), mas a catedral era o monumento mais visitado da França. A visita ao local era uma das maiores fontes de renda do turismo francês e era cartão-postal do país e foi através da arte, mais precisamente, da famosa obre de Victor Hugo, "O Corcunda de Notre Dame" que as pessoas foram sensibilizadas a fazer a manutenção da catedral.
Também é menosprezado tudo o que "é daqui", quando um presidente demonstra sua solidariedade à catedral francesa, mas nada comenta sobre o incêndio ao Museu Nacional, no Rio de Janeiro, nem o fato de um músico ter sido alvejado com 80 tiros, nem a catástrofe de Brumadinho, nem outros desastres que acontecem em nosso país.
Eu sou do seguinte pensamento: "o fato de eu me entristecer com as coisas que acontecem aqui, não me impede de também ser solidária aos desastres que acontecem em outros cantos do mundo", mas não é isso o que acontece com o Biroliro e sua tropa de fãs cegos - eles desconsideram os desastres locais, como se não tivessem importância, mas um desastre na Europa ou nos Estados Unidos já é algo importante, numa total confirmação da Síndrome de Vira-Lata que acometeu a todos eles. Numa comparação tosca e grosseira (confesso), é quase como se não lamentassem o vizinho, que foi assaltado, mas lamentassem um assalto à Beyoncée, "pq ela é uma celebridade chique e importante; meu vizinho, não", e nem sequer consideram que o vizinho não tem tanto poder aquisitivo para se recuperar mais rápido de um assalto do que a Beyoncée.
Mais uma vez, é observado um fenômeno mundial, onde existe pouca compaixão para com as pessoas e muita para com um monumento... Sei que a catedral de Notre Dame significa muito para o mundo inteiro, mas e as vidas em Moçambique? Recentemente, houve a notícia de que super-ricos de toda a Terra se uniram e conseguiram juntas mais de 2 bilhões para a manutenção da catedral, mas por que essas mesmas pessoas não juntaram esse dinheiro para ajudar as vidas, que foram tomadas pelo desastre em Moçambique? Felizmente, não houve mortos em Notre Dame. Apenas dois bombeiros ficaram feridos durante o combate ao incêndio e em Moçambique e no Zimbábue, houveram, pelo menos, cerca de 600 mortes, número esse que pode chegar a mais de mil, segundo outros jornais. Por que a vida do negro pobre sempre vale menos do que qualquer coisa?
Enfim... Muitas reflexões e viagens, admito, mas estou tocada com os recentes acontecimentos no Brasil e afora e, espero, do fundo do coração, que dias melhores venham para todos(as) nós.
Tá difícil ter fé nas pessoas, ainda mais quando destilam tanto ódio, mas ainda assim, espero que coisas boas comecem a surgir e a brotar...
É isso mesmo? Uma agnóstica esperando que um "milagre" aconteça? Talvez... Somos todos(as) contraditórios e paradoxais, não é? A diferença é que alguns têm coragem de admitir isso, outros não.
No mais, tenham um(a) bom/boa "qualquer coisa"... E se agarrem à essa "qualquer coisa" boa, mesmo que seja mínima, pois é ela que nos dá ânimo para continuar vivendo e tendo alguma esperança.
Estamos na era da pós-modernidade. A era do descartável: produtos descartáveis ou com prazo de validade (no caso da comida, é importante, mas de produtos eletrônicos, acho um tanto absurdo, pois empresas programam o período para os produtos começarem a falhar para assim, as pessoas consumirem mais e aumentarem o lucro delas [esse fenômeno se chama obsolescência programada. Podem pesquisar, se quiserem])... Trabalhadores descartáveis (por isso a flexibilização das leis trabalhistas)... Relacionamentos descartáveis...
Podemos jogar tudo fora, até pessoas.
Mais um momento "amiga, não revela a idade". Hahaha!
Sandra de Sá é das antigas, mas essa música é muito boa!
E eis que me pergunto até quando isso é bom... Pq jogar fora pessoas que nos feriram por motivos mesquinhos... Pq tiveram a intenção de nos causar o mal ou sentiram prazer em nos causar mal é algo extremamente importante! Temos que jogar fora essas pessoas de nossas vidas mesmo e fazer o que nos faz feliz, mas e quando essa pessoa não é uma pessoa que teve más intenções, mas teve apenas más escolhas ou más condutas, sem intenção de fazer o mal...? Devemos jogar fora também?
É muito fácil cair em maniqueísmos e categorizar as pessoas como "boas ou más", mas sabemos, quando crescemos ou estamos em fase de crescimento, que a vida é muito mais complexa do que isso. Existem sim pessoas egoístas e nojentas que só olham para o próprio umbigo e pouco se importam com o mundo ao redor. Existem sim pessoas com um nível de consciência tão baixo que sentem prazer em prejudicar os outros. Que deixam de cuidar de suas vidas APENAS para atrapalhar alguém que elas têm raiva e sim. Já testemunhei coisas assim e fiquei sem acreditar!
Tradução: "quando alguém é sórdido/nojento com você, não leve ao pessoal.
Não diz nada para você, mas muito sobre elas."
Por outro lado, somos seres humanos e não somos infalíveis. Há pessoas que erram na tentativa de acertar e, realmente, não tinham a intenção de fazer aquilo. Elas queriam fazer o melhor pela outra pessoa, mas, infelizmente, "pisaram na bola". Faz parte do nosso desenvolvimento, como seres humanos e que querem ser conscientes de seus próprios atos e compreensivos com os outros, saber diferenciar quem é quem para não cometermos as injustiças de aceitar pessoas que nos fazem mal de propósito e/ou de rejeitar quem errou, mas que não fez por mal.
É nesse momento em que eu, que estou muito envolvida com o tema da reciclagem, graças à pesquisa e reflexões da minha querida amiga Fátima, começo a comparar as coisas... O que é lixo e o que é reciclável? Afinal, recicláveis e lixo não são a mesma coisa. Lixo é aquilo o que não presta mais para nada e recicláveis, vc pode separar por tipo (papel, plástico, metal, etc) e depois, aquilo pode ser transformado em um novo produto e pode ser reaproveitado.
Com as pessoas, não é assim tmb? Tem pessoas que não nos servem mais, no sentido de contribuir positivamente para as nossas vidas e tem pessoas, cujos laços se afetaram, por algum motivo e cabe a nós reciclarmos ou ressignificarmos esses laços para que continuemos bem... Reciclar produtos/pessoas, na minha humilde opinião, é ter consciência sobre o lugar de cada coisa, pois se vc joga tudo no lixo ou em lugares impróprios, aquilo vai sujar e poluir o meio ambiente que, numa assimilação poética, pode ser seu coração, seus pensamentos e/ou sua alma...
Portanto, por mais controverso que seja essa relação moderna e antiga, ao mesmo tempo, eu acho nem toda relação que se abalou deve ir para o lixo... E, infelizmente, por piores que tenham sido os relacionamentos amorosos no passado (pq era muito mais machista e as mulheres tinham menos direitos do que têm hoje), os relacionamentos que se abalavam, as pessoas tentavam consertar... Afinal de contas, por mais machista que o mundo tenha sido anteriormente, haviam relacionamentos que davam certo, mesmo com esse machismo todo e haviam mulheres felizes também. Nem todas, mas elas existiram. Chega a ser até curioso, mais uma vez, esse paradoxo de que cada vez se inventam mais coisas para reciclar produtos, mas pouco ainda é reciclado. As pessoas preferem jogar fora e comprar um novo, sem se importar com os danos ao meio ambiente...
Hoje, nós mulheres conquistamos mais direitos, os homens estão um pouco menos machistas (um pouquinho sim, por mais incrível que pareça), temos relações amorosas um pouco mais democráticas que antigamente e muito mais opções, além da relação monogâmica (poliamor, relacionamento aberto, etc) e temos relações de amizades com pessoas em outros cantos do mundo que, às vezes, significam até mais para nós do que amizades com pessoas que vc vê, pessoalmente e todos os dias! E tudo... Absolutamente TUDO, até relações familiares, podem ser transformadas com apenas um clique... Você pode jogar seu namoro/ amizade/ relação familiar apenas deixando de seguir ou bloqueando a pessoa...
"Nããããããão! Não me bloqueia, por favor!"
Ou o "joga fora no lixo" manual e pessoal, né?
É absolutamente espantoso ver que temos mais formas de nos comunicarmos (Facebook, Messenger, Instagram, WhatsApp, Twitter, e-mail, celular, telefone, SMS, etc) e é através de um diálogo que estabelecemos relações e até que mantemos ou resolvemos os "perrengues" dessas relações e há pessoas que se negam a isso, porque acham melhor jogar no lixo ao invés de reciclar... Fico até sem palavras de descrever o que eu sinto ao me deparar com isso... Posso dizer apenas que fico perplexa... E bem decepcionada...
E bom... Para finalizar, há muito tempo atrás, vi uma técnica japonesa milenar chamada Kintsukuroi e como a imagem da notícia diz (fiz essa postagem primeiro no Facebook), "é a arte de consertar cerâmica com ouro e laca e compreender que a peça é mais bela por ter sido quebrada". Achei que com relacionamentos humanos, poderia ser assim, mas do mesmo jeito que "quando um não quer, dois não brigam", "quando um não quer, dois não se unem"...
Enfim... Tantos sentimentos me atravessam agora que eu nem sei dizer o que diabos estou sentindo, mas desejo a todos um bom domingo e que se deliciem com essa bela arte japonesa de consertar "as coisas".