O caso da Carol Moreira - foi assédio ou não foi?

sexta-feira, 23 de dezembro de 2016


Toda vez que me deparo com as redes sociais, em especial, o Facebook, vejo que as pessoas não têm mais vergonha de exteriorizar o que pensam, mesmo que sejam pensamentos perversos e/ou de ódio ou que podem ferir alguém emocionalmente.

Hoje, assisti a famosa entrevista da Carol Moreira, conhecida por falar de Game of Thrones e de filmes em geral e quando ela foi entrevistar o famoso ator Vin Diesel, ela comentou no vídeo que ela não se sentiu nada à vontade e que ele a interrompeu várias vezes. Será mesmo? Vamos tirar a prova? Assistam o vídeo abaixo:



Eu assisti todo o vídeo e constatei que, de fato, ela não parecia NADA à vontade com os "elogios" dele e que ele foi muito incômodo por atrapalhar a entrevista várias vezes (nota: não é que eu achasse que ela estava mentindo, mas primeiro, eu ouvi o boato e depois, vi a entrevista para tirar minhas próprias conclusões).

Me espanta ver o quanto existe gente que adora julgar e que está completamente equivocada em relação ao assunto assédio.

Antes de seguirmos em frente, vamos procurar saber o que significa "assédio" no bom e velho pai-dos-burros? No dicionário Houaiss diz:
"assédio     Datação: 1548

n substantivo masculino
1 operação militar, ou mesmo conjunto de sinais ao redor ou em frente a um local determinado, estabelecendo um cerco com a finalidade de exercer o domínio
2 Derivação: sentido figurado.
insistência impertinente, perseguição, sugestão ou pretensão constantes em relação a alguém
"

Ok. Guardou o significado? Agora, vamos pensar aqui comigo nos seguintes pontos:

1. Meninos queridos, não confundam elogio com assédio! Elogio é sempre permitido e sempre bom tanto para quem elogia, quanto para quem recebe. O fato não foi esse. Não haveria problema algum se ele a elogiasse uma vez, durante a entrevista ou antes ou depois dela, mas ele a "elogiou" três vezes, durante a entrevista e não respondia às perguntas dela. Ele estava atrapalhando o trabalho dela e isso é MUITO chato.


Vocês podem se perguntar "e como sei quando estou elogiando e quando está se tornando outra coisa?" Simples. Verifique se a mulher está confortável com isso. Se você não souber reconhecer, pergunte-a. Foi muito simples reconhecer o incômodo dela. Percebem que ela agradece os elogios, mas ela SEMPRE volta ao assunto da entrevista? Isso já é o suficiente para demonstrar que ela não queria que ele falasse DELA. Ela queria que ele se atesse à entrevista. Ela estava lá como profissional e estava sendo profissional, mas o cara não levou muito à sério, né...? Se ela estivesse à vontade, ela iria rir apenas e ia deixar que ele falasse dela o quanto ele quisesse, mas ainda assim, não seria muito profissional da parte dela, pois alguns Youtubers são patrocinados. São pagos para fazer aqueles vídeos e os minutos em que ela poderia estar gastando com perguntas ao ator, ele desperdiça, inclusive, o próprio tempo, elogiando-a insistentemente? É chato.


2. Não confundam o que você faria com o que ela faria no vídeo. Já expliquei no ponto anterior que ela estava lá entrevistando-o como uma profissional e vi comentários no Youtube de meninas que teriam ficado com ele na hora. Hehehe! Mas além da questão profissional, que pesa muito (para mim, foi o que mais pesou), tem a questão de gosto. Ela pode não achar o Vin Diesel atraente e pode não estar interessada por ele. Qual o problema? Do mesmo jeito, nos comentários do Youtube, tem gente que acha ela feia... Tem gente que me acha feia... Tem gente que me acha bonita... Gosto é uma coisa que não dá para se discutir. No caso, ela não o quis.



3. O feminismo e os direitos das mulheres são muito mal compreendidos. Estou abismada em constatar isso na internet. As pessoas compreendem muito mal as coisas. Existem muitos estereótipos que estão sendo usados e, boa parte disso, é culpa dessa polarização política que o Brasil está passando e por isso, não conseguem enxergar algumas coisas com clareza. O feminismo luta pelos direitos das mulheres, o que não significa, necessariamente, ódio aos homens. Mais uma vez, utilizando o dicionário Houaiss, vamos definir o que é feminismo.


"feminismo     Datação: 1905

n substantivo masculino
1 doutrina que preconiza o aprimoramento e a ampliação do papel e dos direitos das mulheres na sociedade
2 Derivação: por metonímia.
movimento que milita neste sentido
3 Derivação: por extensão de sentido.
teoria que sustenta a igualdade política, social e econômica de ambos os sexos

4 Derivação: por metonímia.
atividade organizada em favor dos direitos e interesses das mulheres
5 interesse do homem pela mulher; atração
6 Rubrica: medicina. Estatística: pouco usado.
presença de caracteres femininos no homem"

Com base nisso, vamos definir outro conceiro muito utilizado: o machismo.

"machismo     Datação: sXX

n substantivo masculino
1 qualidade, ação ou modos de macho ('ser humano', 'valentão'); macheza
2 Uso: informal.
exagerado senso de orgulho masculino; virilidade agressiva; macheza
3 comportamento que tende a negar à mulher a extensão de prerrogativas ou direitos do homem"

Reparem que, em nenhum momento, o machismo significa a proteção dos direitos ao homem, do mesmo jeito que o feminismo não significa "superioridade feminina à masculina" ou "ódio ao homem". O contrário do machismo não é feminismo e sim, femismo. Infelizmente, o femismo existe e deve ser combatido tanto quanto o machismo.



Vocês devem perguntar "e o que isso tem a ver com a entrevista?" Tem TUDO!

Alguns homens acham que a mulher tem que aceitá-los só porque eles as querem e eles não veem a mulher como outro ser, que também tem sentimentos e vontade e ela pode e tem todo direito de não querê-lo. Mesma coisa com os homens.

Ninguém gosta de ser rejeitado, seja homem ou mulher, mas nem todo homem aceita a rejeição. Muitos agridem a mulher com xingamentos ou até mesmo, fisicamente... Outra questão é que, da mesma forma, um homem não será menos homem se ele não der em cima de alguma mulher ou se ele disser "não" para uma mulher que ele não queira ou até sinta interesse sexual nela, mas queira ser fiel à companheira (caso não estiver 100% solteiro) ou não a quer porque não se sente bem no momento. Nesse sentido, o machismo é, até mesmo, prejudicial ao próprio homem.

O ponto-chave de eu ter tocado no feminismo é que, como expliquei, ele luta por esse direito da mulher ser compreendida enquanto um ser humano. É absurdo que as pessoas nem sequer dão a ela o direito de não se sentir à vontade com isso... A julgam como "mimizenta"... Vitimista... Gente,.. Ela não gostou de ser cantada por ele! Ponto! Ela tem esse direito de não gostar, mas gostar de outro cara cantando ela, do mesmo jeito que os homens têm direito de não gostar de uma mulher, que muitos acham linda e gostar de outras, que muitos considerariam "estranhas".

Percebem que comparando essa questão de direitos, os homens são muito mais compreensíveis com outros homens com "gostos estranhos" do que com uma mulher que, simplesmente, não gostou de ser cantada pelo Vin Diesel, como se ela não tivesse esse direito de não gostar?


4. Atores também são seres humanos e também fazem merda. Muita gente esquece isso. Daí, só porque são fãs do cara, negam toda e qualquer besteira que ele faça, mas gente... Um comportamento reprovável é um comportamento reprovável, mesmo que você seja o Papa! Eu adoro e era super-fã do Johnny Depp, mas ele agrediu a mulher dele... O Sean Penn agrediu a Madonna, uma das mulheres mais poderosas do mundo e que recebeu o prêmio de "Mulher do Ano" da Billboard um dia desses!!! Não é porque eles são incríveis em cena que eles são "santos incapazes de errar" não. Já teve vários artistas que foram presos por dirigirem alcoolizados (Nossa! É só o que tem nos EUA)... Que estiveram em clínicas de reabilitação para se livrarem das drogas... Elizabeth Taylor foi uma delas... O Charlie Sheen também e além de receber acusações de que batia na ex-mulher, ele bebe, usa drogas, teve várias relações com homens e mulheres e contraiu o vírus HIV... Com Vin Diesel não é diferente. Ele parecia estar meio bêbado/chapado, mas mesmo assim, isso não é desculpa para ele ter agido dessa forma.


Aliás... Esse tópico 4 é tão ridículo que dá até vergonha de relembrar o óbvio às pessoas.


5. Assédio sexual é algo sério. Guardou o significado se "assédio" lá em cima? Dentre os pontos mostrados no dicionário, o assédio está mais para o "sentido figurado, insistência impertinente, perseguição, sugestão ou pretensão constantes em relação a alguém". E bom... Ele a elogiou várias vezes... Ela tentou mudar de assunto várias vezes e tentar fazer seu trabalho... Ele foi insistente nesse assunto quando ela não se sentiu à vontade, então, pode ser considerado assédio sexual SIM.

Sei que muitos homens se revoltam com isso e pensam "ah! Mas não se pode mais nem elogiar a mulher agora?" Releiam o primeiro ponto e depois que voltarem, vamos falar de um assunto muito delicado: ser mulher.

Ser mulher é você estar, constantemente com medo de um cara não saber o limite do assédio pro elogio, insistir quando ela não quer e estuprá-la ou agredí-la fisicamente. O medo é constante e não adianta dizer que "não vai machucá-la". Para uma mulher mudar esse comportamento e deixar de ter esse medo, os homens devem mudar primeiro e mostrar que se importam com elas... Que aceitam que elas não os querem... Que aceitam que elas tenham uma opinião e que possa escolher, mesmo que ele não seja a escolha dela... Tratá-la tão bem como ele trata outro homem, respeitando tudo o que ele diz.


Não se trata de vitimismo. Se trata do mundo como ele está agora.

Esses dias, também foi possível ver um lamentável caso de uma delegada sendo agredida fisicamente pelo seu marido e uma policial tentou defendê-la e foi agredida também. Nem mesmo as mulheres em posição de liderança ou poder estão salvas desse ódio que alguns homens têm... E o desfecho dessa história não poderia ter sido pior: a delegada pagou a fiança e uma criatura dessas, que não tem a menor condição de conviver em sociedade está solta por aí.

Muitas mulheres são agredidas por homens conhecidos e, na maioria das vezes, são seus namorados... Maridos... Homens que elas amavam e confiavam, mas esse cara agrediu uma policial que ele nem sequer conhece! Do mesmo jeito que ele a feriu, ele pode ferir qualquer outra mulher (Veja vídeo da agressão clicando aqui)!


Agora olha o tamanho do Vin Diesel, a posição privilegiada em que ele se encontra, por ser endinheirado... Uma figura pública... Ele faz um monte de filmes de ação, o que confere a ele um certo estereótipo de "heroi brutamontes"... Algumas mulheres se sentem atraídas por tudo isso, mas outras podem sentir medo. Não podemos generalizar e acho ridículo quando tem gente que acha que "mulher só quer saber de dinheiro". A Carol é a maior prova de que isso é mentira, pois se ela tivesse interessada no dinheiro dele, ou ela sairia e ficaria com ele, ou ela deixaria o post dela no Twitter, tratando o assunto como assédio (pois foi assédio mesmo) e processaria ele por isso. Ela não fez nenhuma coisa, nem outra. Ela deletou o post pra tentar evitar a polêmica, mas acho que nem conseguiu e já tem um monte de gente (inclusive eu) opinando sobre o assunto. O que me espanta é que muitas pessoas de opinião contrária à minha sempre apresentam os mesmos discursos de que "é mimimi"... "Vitimismo"... Que ela "quis ficar famosa às custas dele"... Que "os fãs dela são baba-ovo"...

Se ela quisesse ficar famosa às custas dele, ela teria deixado o post dela do Twitter e levaria o assunto a conhecimento da comunidade internacional, inclusive.

Ah! E eu não sou fã dela.

Pode até ser lisonjeiro um ator famoso e reconhecido achá-la atraente, mas isso não significa que ela o quer e que ela ela goste de ser abordada da forma em que ele a abordou, durante o trabalho que ela estava fazendo.



Muitos ainda disseram que ela "poderia ter editado o vídeo". O vídeo só tem 12 minutos... Boa parte da entrevista, ele a interrompe e ele é um cara muito ocupado e de passagem pelo Brasil, então, era pra deixar o vídeo mais curto ainda? E quando eles teriam a oportunidade de realizar outra entrevista?

Sem contar que é bom e interessante dar visibilidade a essas questões... Além da questão do assédio sexual, tem a questão da visão da mulher brasileira no exterior, como a mulher linda, sexy e fogosa e que, provavelmente, "quer dormir com quem a queira". Precisamos desconstruir isso também, pois as pessoas de fora também devem nos respeitar. Se fosse um brasileiros que tratasse uma mulher do país dele da mesma forma, eles também não iriam gostar e também seria muito bom que os homens refletissem que a mulher assediada poderia ser sua irmã, mãe, tia, namorada, avó, etc.

Enfim... Mais algumas reflexões da madrugada.

No mais, não julguem!

Beijos!

Review de "Quem é essa mulher"?

quarta-feira, 23 de novembro de 2016


Nota de 1,0 a 5,0 = 4,5

Gênero = Comédia


Antes de mais nada, gostaria de dizer para as pessoas que traduzem os títulos de filmes para algo que tem nada a ver para POR FAVOR, NÃO FAZER ISSOOOOOO!

Sério... Parece falta de criatividade... O nome do filme original é "Florence Foster Jenkins" e como ela não foi uma pessoa muito conhecida, principalmente por quem não está acostumado a ouvir canto lírico, muitas pessoas não sabem quem ela é. Até parece que quando foram decidir o nome do filme, uma pessoa se perguntou para a outra "quem é essa mulher?" e responderam "não sei" e aí, pronto. Ficou "Florence, quem é essa mulher" mesmo.

Tirando esse detalhe, o filme é muito bom!

No elenco do filme, nada mais, nada menos que a "papa-Oscar" de Hollywood: Meryl Streep! Ela, como sempre, maravilhosa e tmb o charmoso Hugh Grant e o Simon Helberg, que também interpreta o Howard da série "The Big Bang Theory".

Florence Jenkins era uma ricaça que achou que já estava pronta para cantar ópera e como não havia ninguém que lhe dissesse o contrário, ela se apresentou várias vezes e, inclusive, apresentou no renomado teatro Carnegie Hall. 

De início, achei que as pessoas a mimavam porque ela era rica e sim... Alguns mimavam ela por esse motivo e outros, principalmente os que realmente se importavam com ela, não falavam a verdade por outros motivos que não vou contar, para não fazer spoiler.

A Florence real à esquerda e a Meryl Streep, à direita, encarnando-a


Apesar de ela ter tudo o que quer nas mãos (professores de canto e maestros de fazer inveja a qualquer estudante de canto lírico, excelentes instrumentistas para tocarem com ela, etc), ela não era uma mulher arrogante. Ela era mimada por todos, mas era muito generosa, fazia doações a instituições de caridade e ela incentivou o cenário da ópera, com o dinheiro e influência que possuía.

O que talvez algumas pessoas não saibam é que essa história é baseada em fatos reais. Essa mulher REALMENTE existiu e vocês podem conferir todo o... "talento" dela no vídeo do Youtube abaixo, onde ela canta a super-conhecida ária da Rainha da Noite "Der Hölle Rache" da ópera "A Flauta Mágica" de Mozart:


Às vezes, me pergunto se ela nunca ouviu suas próprias gravações para perceber que... "Tinha alguma coisa errada ali"... E é incrível perceber que essa história foi real. Claro que o cinema sempre romantiza um pouco, mas tudo aquilo aconteceu mesmo.

Interessante também ver que a Meryl se desafinou para parecer, o máximo possível, com a Florence cantando. Hehe! Mas os áudios do filme são a Meryl que canta, imitando e interpretando-a.

Mas enfim... A comédia traz uma belíssima mensagem no final que vale a pena conferir e que faz, principalmente, quem trabalha com a arte e o canto (não apenas o lírico) se emocionarem (ou eu, pelo menos, me emocionei)... Essa mensagem foi o que mais me tocou e me fez gostar ainda mais do filme e a valorizar ainda mais a minha profissão como cantora lírica.


Confiram pq o filme é bem legal sim!

Beijos e valeu!

Elas não querem casar. E agora?

domingo, 30 de outubro de 2016


Eu fico impressionada com essa educação maluca e terrível que dão a nós mulheres e assim, acham que todas somos iguais e quando uma mulher pensa fora da caixinha, "ai meu Deus! Uma feminazi!"

Desde sempre, fomos ensinadas a acreditar nos príncipes encantados... Muitos contos de fadas belíssimos onde as princesas são perfeitas e nós temos que ser parecidas com ela, óbvio, porque senão, não vai aparecer o príncipe encantado para casar conosco e assim, vivermos "felizes para sempre".



Mas na real, queridas amigas... Quantas de vocês encontraram um homem parecido com esse ideal do príncipe encantado? Eu já me apaixonei muitas vezes e acreditei ter encontrado uns príncipes encantados na minha vida, mas ao conhecê-los melhor, vi que eles não têm nada a ver com esses príncipes, apesar de terem sido caras bem legais...

Desde crianças, somos ensinadas a pensar no casamento como "o caminho da felicidade" onde, algumas mulheres, inclusive, veem como o principal objetivo da vida delas e isso é tão perigoso que elas não fazem ideia... 

Essa educação e imposição social é tão doida e nojenta que ela é dá margem a alto bastante perigoso: a violência contra as mulheres. Têm mulheres que aguentam a violência caladas porque os homens as manipulam, agredindo fisicamente ou psicologicamente e, depois, são carinhosos e falam que fizeram isso "porque as amam". Elas acreditam e acham que "ele só se descontrolou um pouquinho, mas me ama sim".

Alguns homens mau caráter sabem que as mulheres sonham com o casamento e se aproveitam disso, inclusive. Eles fingem serem bonzinhos para atraírem a vítima, que pensa que está "vivendo um sonho" e encontrou o "príncipe da vida dela" e ao se casarem... Ele muda COMPLETAMENTE!  



Nesses casos, é incrível ver que mesmo sendo algo muito antigo, o contrato de casamento ainda é visto como um instrumento de posse... Então, um homem mau-caráter se passa por bonzinho e quando se casa com a mulher que ele quer, mostra quem ele é realmente, podendo, mais uma vez, chegar aos casos de violência contra a mulher e feminicídio. O homem a vê como posse. Já que "ela é dele", ele não tem para quê fingir e "se ela não é minha, não será de mais ninguém". Eis o motivo da violência e assassinato de mulheres.

"Dali, que tema punk é esse? Pq vc está falando sobre isso hoje?"

Estou falando porque li uma postagem de um site masculino que achei interessante. 

Achei a iniciativa do site de falar de relacionamento, amor e casamento aos homens muito válida e até falaram sobre drinks e comidas para agradar a mulher. Achei legal isso e espero que mais homens tenham essa ideia de agradar as mulheres e as mulheres, claro, devolverem esse agrado. O que não é justo é que existam várias revistas femininas que ensinam as mulheres a agradar o homem e muitos homens não tenham, sequer, esse interesse e que as mídias e meios de comunicação, de forma geral, não estimulem esse comportamento no homem que, realmente, gosta da mulher e quer vê-la feliz e não o cara que trata a mulher como objeto.

O tema da postagem é "Quando elas não querem casar" e pode ser lida aqui

Alguns trechos me chamaram a atenção. entre eles, o de um psicólogo que gosto bastante e que tem textos fantásticos sobre mulheres, comportamento, relacionamento, etc:
“Muitas mulheres não querem casar porque tem receio de se expor ou submeter às fantasias ‘conturbadas’ que pregam sobre o casamento: submissão ao homem, perda de individualidade, falta de sexo, dependência financeira, traições. Em geral elas querem ter um companheiro, mas nem todas assumem isso e então se apegam ao discurso pós-moderno da liberdade absoluta”, explica o psicólogo autor do Blog Sobre a Vida, Frederico Mattos. “Isso seria uma evolução se fosse uma decisão plena e não mera reação ao conservadorismo que diz que todos devem casar”, conclui.

Como muitos sabem, há muitos movimentos feministas que buscam dar empoderamento à mulher e esses movimentos são muito importantes. Sempre tem "gente maluca" em tudo o que é canto e isso não é diferente nos movimentos sociais como um todo, mas essa coisa de "não casar" é parte desse empoderamento, pois aos homens, não tem taaaaanto essa coisa de "tem que querer casar". Estarei generalizando, mas óbvio que existem exceções. Quando um homem não quer casar, todo mundo entende que ele "está perdendo a liberdade", "será acorrentado" e tudo o mais. Só quando o homem está muito mais velho é que ele sente a necessidade de ter uma mulher a seu lado para cuidar dele. Agora, vamos falar um pouquinho de História?

Algumas mulheres, no início do século XX, eram internadas em manicômios por não quererem casar (Veja a resportagem que conta isso: http://www.contioutra.com/deu-a-louca-nas-mulheres/ ). Vocês têm noção disso? É como se fosse imposto que "toda mulher deve querer casar" e nem todas as pessoas são iguais.



É verdade que a sociedade ensina para todas nós que "casar é legal", mas, cada vez mais, as mulheres estão se decepcionando com o casamento pq elas acabam tendo uma dupla jornada de trabalho (chegam do trabalho e vão arrumar a casa e cuidar dos filhos) e se os homens não chegarem junto, as mulheres se estressam, não conseguem se cuidar e desgasta a convivência. Por isso que sou fã do homem moderno, que tem uma consciência de que ajudar a mulher com os afazeres domésticos é excelente para a relação e assim, um ajuda o outro (a mulher trabalhando tmb ajuda a pagar as contas). Infelizmente, essa consciência ainda não atingiu a maioria dos homens, que têm uma boa vida durante o casamento, pois a mulher, além de tudo, cuida da saúde e bem-estar DELE. A saúde da mulher fica desgastada no casamento (http://www.sul21.com.br/jornal/o-casamento-e-um-risco-para-a-vida-das-mulheres-diz-medica-especialista-em-saude-mental-feminina/ ) e o número de divórcios está bem alto e a iniciativa do término, na maioria dos casos, é da mulher (http://ambito-juridico.jusbrasil.com.br/noticias/2996646/mulheres-lideram-pedidos-de-divorcios-afirma-ibge )... Então, tá faltando uma educação aos homens no sentido de dividir a tarefa doméstica com as mulheres... Tratá-las com igualdade e não como se fossem inferiores... Respeitar a opinião delas quanto a querer casar ou não e quanto a outros assuntos... Dialogar com elas (o diálogo faz uma falta enorme entre os casais)...

Estou lendo um livro muito interessante que fala sobre o amor durante a história ocidental e tô lendo muitas coisas interessantes. Li que durante o período Neolítico é que o homem observou que quando os rebanhos de macho e fêmea se juntavam, eles tinham filhotes, associaram isso à raça humana e, desde então, muitos homens têm tentado controlar a vida reprodutiva das mulheres. Talvez isso explique porque eles insistem numa sociedade que as educa para casar, mas se ela "dar" no primeiro encontro, é uma "puta"... Se engravidar e não quiser ser mãe, ela é louca, porque "filho é uma dávida", mas se o homem não quiser assumir, "tudo bem"... Entre outras coisas que vemos na nossa sociedade. 

Na Grécia antiga, as mulheres tinham tantos direitos quanto os escravos. As que casavam só serviam, praticamente, para procriar e cuidar da casa, enquanto o homem tinha uma vida sexual bastante ativa fora de casa, com as hetairas (cortesãs) e com homens adolescentes. A lei da Grécia antiga estabelecia que o casal deveria ter, no mínimo, 3 relações sexuais por mês e o homem que não se casasse teria que pagar uma taxa alta ao Estado (foi a forma que o Estado teve de obrigar as pessoas a se casarem) e as mulheres eram proibidas de serem educadas, enquanto os homens tinham educação na arte do combate, filosofia, música, matemática, etc. Eles achavam as mulheres burras e devassas, pois não compreendiam que a elas era negado o conhecimento e se não tivesse essa lei que definia o número mínimo de relações que elas poderiam ter, talvez os homens fizessem ainda menos, pois eles se divertiam mais com as hetairas e os adolescentes. Isso foi há 300 anos antes de Cristo e ainda há homens que, infelizmente, ainda pensam assim (na mulher pra cuidar de casa - a pra casar - e a mulher pra ele se divertir).



Sabendo que isso foi há mais de 300 anos a.C, imagine que todo o período de lá pra cá, muitas e muuuuitas mulheres não tinham muitos direitos e foram conquistando tudo aos poucos... E ainda tem homem que acha que a luta feminista é bobagem... E com as mulheres mais bem-educadas e conscientes hoje em dia, vendo que alguns homens não querem mudar essa mentalidade de querer controlar a mulher no casamento... Ou o cara não ajuda em casa e a mulher fica desgastada e aí, o cara reclama "nossa! Vc era tão bonita antes. Nem está se cuidando mais" e fica secando outras mulheres mais novas na frente da esposa... E ainda tem caras que reclamam seus direitos de família conservadora e tradicional, mas trai a esposa... Tem cara que tem ciúmes doentios e qualquer coisinha que a mulher faz, ele já faz pra cima dela com tom ameaçador...

Enfim... São vários os motivos. Não é apenas uma "rebeldia contra uma instituição tradicional"... Sei que tem homens legais que querem casar sim e que não fazem nada disso, mas tenho quase certeza que desses exemplos que eu citei, vocês devem conhecer alguém nas suas famílias ou até amigos seus que fazem uma ou mais coisas das que eu falei.

Outro trecho que me chamou a atenção:
Se sua menina está se esquivando toda vez que você toca no assunto é hora de parar, respirar e pensar em como agir. Não adianta empurrar com a barriga e fingir que não se importa. Afinal, apesar de cada caso ser um caso, com o passar do tempo você tende a ficar mais frustrado com a negativa.

Mais uma vez, me impressionei ao ler que existem pais que se preocupam com o fato das suas filhas não quererem casar. O que está implícito nesta frase, seja de forma consciente ou não, é que "a mulher que tem vontade de casar é normal e a que não quer, não é" e por isso, como "um bom pai", ele tem que conversar com sua filha para convencê-la a mudar de ideia.

Mas na real, queridos homens... Vamos refletir um pouco... Façam a si mesmos as seguintes reflexões:

1) Qual a idade da sua filha? Ela é criança, adolescente ou jovem? 

2) Como você era quando tinha a idade da sua filha? Você era um homem que queria casar ou era um homem que queria experimentar o sexo e "aproveitar a vida ao máximo" (excluindo a fase da infância, claro)?

3) Os seus amigos agiam da mesma maneira que você? Como eles agiam e o que falavam quando o assunto era mulheres?

4) Como agem os colegas de escola ou meninos, de forma geral, da idade da sua filha?

5) Você é feliz no seu casamento? Seus amigos casados também são felizes? São fieis às esposas? 

6) Você tem amigas casadas? Se sim, o que elas falam dos maridos delas? Elas são felizes no casamento? São fieis aos maridos?


Mais um vídeo para vocês, pais, refletirem:



Se você vê que com meninos é diferente e que ainda têm muitos homens que "fogem do casamento como o diabo foge da cruz" e que não seriam bons maridos, por que DIABOS você quer convencer a sua menina que ela TEM que querer casar?

Precisamos de uma mudança coletiva. Tanto os homens devem rever a maneira com o qual eles tratam as mulheres e encaram o casamento (ou relacionamentos duradouros, estáveis e monogâmicos) e como as mulheres precisam ver que é possível ser feliz no casamento sim, mas ele não deve ser o seu maior projeto de vida.

Por isso, quanto ao conselho dos pais para as filhas, não tentem convencê-las a casar se elas não quiserem. Ao invés disso, façam elas se amarem do jeito que são e empoderem-nas! Ensinem que elas são maravilhosas e que elas não devem aceitar qualquer coisa e sim, que elas fiquem com um cara muuuuito legal e se a união entre eles for duradoura e estável, é provável que se casem ou que morem juntos. 


Mais uma vez, essa postagem não é um "nunca se case na vida" ou "o casamento é um inferno" e sim, uma "provocação" para que a gente reflita sobre pensamentos ancestrais que perduram até hoje e que poderiam ser mudados.

Enfim... Essa foi a reflexão do dia.