Este é o canto do canto - um espaço para divulgar o trabalho da cantora lírica/de ópera, a soprano Daliana Cavalcanti e para falar sobre canto lírico, ópera, poesia e arte em geral.
Empatia e alteridade são algumas das palavras mais usadas e mais ditas ultimamente e pouca gente as compreende ou se importa com elas, mas são palavras que poupariam a humanidade de muitas coisas.
Com a alteridade, nós vemos o outro tal como ele é: como um outro ser e não como uma "extensão de nós mesmos" e respeitamos essas diferenças e com a empatia, nós sentimos com o outro. Quando combinadas, essas palavras produzem algo maravilhoso: eu reconheço o outro como sendo um outro e mesmo tendo ciência dessas diferenças, eu tento sentir junto os sentimentos deste outro.
Não é algo fácil, mas é algo tão humano e tão importante que as pessoas não fazem ideia...
É muito fácil eu ser de um grupo de xadrez, compreender todas as dificuldades que este grupo de xadrez enfrenta e não, pelo menos, tentar compreender as dificuldades de um grupo que joga dominó, por exemplo. É muito fácil eu dizer que o grupo que joga dominó tá com "mimimi" e eu só me concentrar nas dificuldades do grupo de xadrez no qual EU faço parte. Isso é algo muito fácil e é o que está acontecendo no mundo hoje... - não há, sequer, essa tentativa de tentar compreender o outro porque a mente está fechada e todo mundo quer ter razão.
Claro que usei um exemplo muito bobo, mas é o que acontece com os grupos minoritários, como as mulheres, os negros, os LGBTs, os imigrantes... Seria muito fácil se eu defendesse somente os direitos das mulheres e esquecesse o resto, pois é o grupo no qual eu me encontro, mas será que isso é o melhor para uma boa e pacífica convivência? "Cada um por si?" Não é por esse pensamento que estamos destruindo uns aos outros?
É por esse motivo que defendo todos os grupos minoritários: eu não preciso ser negra, nem LGBT, nem imigrante para defender o direito deles. Basta eu ter alteridade e empatia. A alteridade faz com que eu veja as diferenças óbvias e que eu compreenda meu espaço no mundo. Em alguns aspectos, em lugar de privilégios e em outros, não. É muito fácil para as pessoas que estão nesse lugar do privilégio achar que a dor alheia é mimimi. A empatia faz com que eu compreenda a luta dessas pessoas e tenha vergonha de algumas besteiras que as pessoas dos grupos ao qual pertenço falam e por isso, gosto de ajudar as minorias em sua luta, minimamente, tentando dialogar com as pessoas que não compreendem isso (sem muito sucesso, infelizmente. Hehe!).
Para desenvolver essas duas coisas, precisa querer desenvolver a inteligência emocional e a sensibilidade, coisa que algumas ciências humanas como as ciências sociais, psicologia e arte fazem, mas são, justamente, as ciências mais desvalorizadas por todos e que muitos consideram inúteis.
Acho que além de tudo isso, tem uma questão de maturidade envolvida... Lembro que na fase da infância, as crianças se veem como centro de tudo e é como se essas pessoas incapazes de compreender o outro fossem pessoas infantilizadas... Sem a capacidade de ver para além de si mesmas. Nesse aspecto, concordo quando dizem que vivemos numa sociedade infantilizada. Não falaram nesse aspecto que estou falando, exatamente, mas basta ver a forma como estão tratando a política, como se fosse um jogo de futebol e tem gente ainda "rindo pq seu time ganhou" e estamos todos inseridos nesse meio...
Boa parte dessas pessoas que não conseguem entender isso, mal entendem que direitos humanos não depende de visão política. Acham que "é coisa da esquerda" e resolvem abominar tudo, sem nem se dar ao trabalho de tentar entender as coisas. Gostam de simplismos e respostas rápidas e curtas para questões complexas e que exigem essa maturidade e sensibilidade...
Enfim... Estou cansada dessas cabeças fechadas, que gostam de se denominar "conservadoras" e que gostam de dizer que fazem parte de uma crença religiosa, cujo maior messias disse "amai uns aos outros como eu vos amei" e elas ficam "amando" esses outros com sinais de revólver com os dedos e com frases prontas que dizem "acabou a mamata", mas são completamente cegos para a mamata dos políticos que eles mesmos elegeram.
Enfim... Cansada de toda essa gente que vê tanto mal num pobre ganhando R$ 77 reais de Bolsa Família para, pelo menos, ter um pouco de comida na mesa e dizer que isso é mamata e é completamente cega aos muitos políticos que roubam, tanto da direita quanto da esquerda, e que são uns poucos com dinheiro suficiente para alimentar todos essas pessoas famintas.
Pior que os miseráveis, que sofrem com a falta de alimentos são essas pessoas, que têm falta de humanidade...
PS.1: não falei me gabando quando disse que luto pelos direitos da minoria e tento exercitar a empatia e a alteridade. Não sou nenhuma pessoa "em estágio de Buda" ou seja lá o que for. Tento fazer o que acho certo e pronto e pra mim, isso é algo tão básico para nós, seres humanos, que me choca tentar falar com tantas pessoas sem A MENOR noção dessas palavras e sem a menor sensibilidade contra as pessoas que mais precisam. E é porque eles se denominam "cidadãos de bem", hein? Imagine se fossem malignos!
PS.2: por mais que eu tente ser apartidária, dá pra perceber que me refiro aos bolsomínions, em maior parte porque são, justamente eles quem menos se importam com os outros. Só se importam com eles mesmos, mas se pessoas da esquerda também falarem besteira contra essas minorias, serei contra elas tmb, porque, como falei lá em cima, direitos humanos não é questão de direita ou esquerda. É questão de educação, consciência, caráter, sensibilidade, etc.
Mais uma brincadeira despretensiosa, onde canto um trecho de alguma peça de coral e canto todas as vozes só pra sentir a harmonia e, simplesmente, brincar.
Infelizmente, essa música, em especial, é um Negro Spiritual e como muitas peças desse gênero, foram escritas por negros em muito sofrimento e, no caso dessa música, em processo de evangelização (ou imposição religiosa, né?), durante a época da escravidão só que, estamos falando da escravidão negra que aconteceu nos Estados Unidos.
Essa música é de uma beleza e de uma tristeza grande e que me tocaram muito, quando estava aprendendo a cantar em coro.
No caso, essa música é para coro misto (soprano, contralto, tenor e baixo), mas como minha voz no tenor e no baixo é uma porqueira, por motivos óbvios, transpus tudo uma oitava acima e transformei num coro feminino. Não tive pretensão nenhuma ao fazer isso. Somente quis brincar e tornar as coisas mais fáceis e confortáveis para mim.
Espero que gostem de mais uma dessas brincadeirinhas bobas que faço para me distrair e me alimentar... Sentir que estou criando algo e fazendo arte, pois assim, sinto que minha vida tem mais valor e mais significado do que algumas vezes, quando passo um longo tempo sem produzir/criar/fazer arte.
Mentiram pra gente! Não, nós não podemos ser tudo aquilo que desejamos ser. Ou melhor: até podemos, se estivermos dispostos a pagar o preço dessa decisão.
Vivemos num país (e num mundo) onde a aparência é mais importante - é melhor você parecer bem do que você estar bem de fato. É melhor vc ter um carrão, dividido em 36x para parecer alguém mais high society do que vc ter um carrinho mais popular e mais humilde e que tem o mesmo propósito de um carrão: transportar você para os cantos.
E nesse mundo de aparências, as pessoas não estão interessadas em saber como você realmente está... Se a profissão que você escolheu para si o(a) deixa feliz... Querem ver suas fotos estampando um sorrido de felicidade no Facebook, Insta, Twitter, entre outras redes sociais, que nem sempre mostram o que você, de fato, É. Registram um momento e mesmo alguns momentos registrados podem não corresponder com a realidade.
Lembro que muito compartilham um vídeo do vocalista do Linkin' Park, quando ele estava às gargalhadas e horas depois, ele se matou. Não que eu seja uma expert em microexpressões faciais (mas me interesso pelo assunto), mas quando vejo esse vídeo dele, me pergunto "gente, é sério que ninguém está vendo a cara de dor e sofrimento que este homem está fazendo?"
Ele tinha depressão e é incrível como o sorriso é uma grande máscara para nossos sentimentos e tem como diferenciar um sorriso verdadeiro de um falso. As pessoas se deixam enganar facilmente pelo riso/sorriso, mas se, nesse vídeo, cobrirem a boca dele com o dedo e reparassem no olhar dele, veriam que aquele olhar não é de uma pessoa feliz e sim, de uma pessoa profundamente triste e angustiada.
Reparem nos olhos e o formato em que as sobrancelhas se encontram. Tapem a boca dele com o dedo e "voilà"! Expressão de dor e tristeza. Não é expressão de alegria.
Agora, olhem essa foto em que ele está com uma expressão mais neutra. Percebam como as sobrancelhas dele estão arqueadas com essa expressão neutra e se quiserem, procurem fotos desse cantor (Chester Bennington) e reparem como ficam as sobrancelhas dele quando ele sorri de verdade. Percebem a TOTAL diferença de quando ele está feliz mesmo e quando ele não está?
Então, num mundo de aparências, o PARECER é mais importante que o SER.
Quando você demonstra o que é e assume as suas escolhas, você está sendo uma verdadeira afronta à humanidade como um todo! Por isso que as bichas, quanto mais afeminadas e assumidas, mais elas incomodam. Por isso que gordos(as), quando se assumem e são felizes com os corpos que têm, usando roupas "que só serve pra quem é magro(a)", incomodam bastante. Por isso que artistas, em geral, incomodam demais.
Nesse mundo tosco de aparências, o problema não é você ser gay. É você se assumir gay e quanto mais afeminado você for, mais a sociedade vai te desprezar. Então, ser gay, se casar com uma mulher, ter filhos com ela e, nas sombras, ficar com outros homens, não parece ser um problema, porque você não está mostrando nada. Você está mantendo a aparência heteronormativa e nesse mundo, isso é ótimo.
No meu caso, o problema não é que eu seja artista e sim, que eu trate isso como uma profissão e me assuma artista. Que eu queira receber dinheiro pelo trabalho que eu faço... Que eu não queira tratar a arte apenas como um hobby ou como algo "pra me divertir, quando não tenho nada melhor pra fazer"...
Esse é o problema, pois isso incomoda porque "é coisa de vagabundo". "É coisa sem futuro". E até no próprio dicionário, quando fui ler o significado de palavras óbvias para encontrar outros significados e até ressignificar essas palavras, procurei o que era a palavra "amor" e dentro dessa palavra, existiam várias expressões. Uma delas é "por amor à arte", ou seja, "fazer as coisas de graça ou desinteressadamente". Nem a própria língua respeita a nossa profissão.
"Vai ter concurso da Caixa Econômica". E eu com isso? "Vai ter concurso dos Correios". Oi? "Vai ter concurso do Ministério da Justiça" E o que isso tem a ver com a profissão que eu escolhi? Com o curso no qual me formei?
Sim... Compreendo que num mundo de aparências, não existem muitas opções para a gente. Não existe nem a dignidade de algumas pessoas em serem claras e dizem o quanto vão pagar pelo nosso trabalho. Muitas gostam de enrolar e, no último minuto, dizer "ai! Não tive tempo... Não consegui angariar recursos o suficiente... Não tenho o dinheiro que prometi, mas tenho esses R$ 50,00. Tá aqui, ó". E não é a primeira vez que eu vejo esse filme. Já vi outras vezes e, infelizmente, é algo muito comum para os músicos... Algumas pessoas que fazem essas propostas aos artistas e até inscrevem projetos em editais, nunca têm dinheiro pra pagar o artista, mas vá lá olhar quanto ela está recebendo. Com certeza, não é só R$ 50,00!
Olha a mentiraaaaaa! Pague meu aqué!!!
O que acho mais hipócrita é quando o povo reclama do seu governo e age de maneira idêntica! Em proporções menores, mas a desonestidade é IDÊNTICA! E ainda reclamam quando não se sentem bem governados e representados e o nosso governo é apenas o reflexo da nossa sociedade, tal qual ela é: uma sociedade de aparências, com muita sujeira por baixo dos panos.
Certa vez, fui cantar num casamento com um grupo pouco conhecido e, para mim, ficou clara a frustração daqueles músicos! Um deles, que estava dirigindo, disse que trabalhava com informática e abandonou para fazer música, que é o que ele ama, uma história semelhante à minha e ele estava arrependido de ter feito essa escolha.
Eu me espantei em ouvir aquilo e estava absolutamente abismada ao ouvir uma moça... Uma das instrumentistas, ainda neste carro, que disse que estava cansada dessa vida e queria se casar para ser sustentada pelo marido. Não há nada de errado com isso, mas confiar sua vida a alguém que pode te trair e "te deixar sem nada" é algo muito surreal para mim, mas era o cansaço de trabalhar, ganhar pouco, ser desvalorizado e viver nessa vida tão cheia de incertezas, que é a vida do artista.
Nessas horas, me pergunto: "Meu Deus! Será que eu errei ao escolher a música e, além da música, o teatro? Eu estou errada em me arriscar e fazer o que eu amo? Pq a sociedade faz isso parecer um crime hediondo? Algo que eu escolhi porque é algo que eu gosto de fazer, posso fazer bem-feito, é o que eu amo, eu estudei e ralei MUITO para isso e ainda sou taxada de vagabunda? De 'cigarra' e até mesmo, pela minha PRÓPRIA FAMÍLIA?!?!"
É lógico que eu compreendo a frustração desses profissionais! Mas, sinceramente, eu não sei se iria preferir outra coisa... Não sei se iria aguentar "estudar Medicina ou Direito ou Engenharia, pq é o que dá dinheiro" se não são coisas que gosto muito de fazer e ser mais uma profissional meia-boca, que só visa o dinheiro e não quer fazer um bom trabalho.
Outra vez, lembro que estava num grupo de WhatsApp em que li a notícia de que uma moça, que estudava na escola que eu estudava, se suicidou. Ela tinha a mesma idade que eu (ou um ano mais velha), era linda, tinha um marido lindo, duas filhas lindas e era médica e acho que o marido dela também era médico ou era concursado. Aparentemente, uma vida perfeita, mas tinha depressão e morreu de overdose. "As aparências enganam" e MUITO!
Quantos e quantos médicos, advogados e engenheiros vcs não conhecem que fazem um péssimo trabalho? Que não sabem, nem sequer, lidar com as pessoas pq se sentem muito superiores e não sabem que atendimento é TUDO no mercado de trabalho? Estão aí os casos de violência obstétrica para confirmar isso... Advogados charlatões... Engenheiros que fazem um projeto péssimo de planta (no caso de um engenheiro civil) e são desonestos e enrolam quando um condômino vai questionar o projeto realizado (e sim. Eu conheço um caso assim)...
Mas não... - na sociedade de aparências, o que mais importa é que vc está de jaleco e isso é chique. Chique tmb é o salário no final do mês, que não vai mudar, mesmo que seu serviço seja péssimo.
Não é aos advogados, engenheiros e médicos que vc pede pra "vir aqui mostrar seu trabalho" para, nas próximas vezes, vc ganhar reconhecimento e te pagarem pelo que vc estudou. Se isso fosse proposto a eles, eles ririam na sua cara e, muito provavelmente, diriam "não", mas o artista diz "sim" pq pra ele, não tem muitas opções... Não tem muitas oportunidades assim, especialmente se esse artista não vem de uma família rica... Não tem, sequer, o reconhecimento de que aquela pessoa que está "mostrando o seu trabalho" é uma lutadora, que está batalhando pelo seu sustento e, assim como todo e qualquer profissional, MERECE ser pago ou, pelo menos, tratada da forma em que é: um profissional. Um(a) artista! Não um vagabundo!
Os verdadeiros vagabundos estão governando o nosso país, roubando o NOSSO dinheiro, não fazem NADA e tmb são os filhinhos de papai que não estudam, nem trabalham e só vivem em farras e baladas, sustentados pelos pais. Não é o artista que está "lutando para ser alguém".
Esse é o mundo como ele é e o problema nem é quando dizem "venha aqui mostrar seu trabalho". Dá para perceber quando alguém faz isso de coração e para nos ajudar e somos gratos(as) por isso. O problema não é esse. O problema é quando dizem que haverá cachê, mas não acertam o cachê contigo e esperam que vc vá trabalhar, sem você nem ter a certeza do quanto vc receberá ou, sequer, se você vai receber ou não, ou se acertam contigo um valor e na hora, vêm com desculpa de "ai, não deu, mas toma isso aqui" e te dão outro, geralmente, inferior ao que foi combinado. Nenhuma outra profissão aceitaria uma coisa dessas!!! NENHUMA!!!
E o mais absurdo: quando reclamam para você que "vc só faz as coisas pelo dinheiro". Mas se é o meu trabalho, não é justo que eu queira receber por isso? Ainda mais num país onde as oportunidades para o artista ganhar dinheiro são poucas? Eu acho justo! Eu estudei para isso, caramba! Se eu for fazer tudo de graça sempre, como é que eu vou me sustentar? Ninguém pensa nisso e nessas horas, exigem que artistas e professores façam as coisas "por amor à arte", mas quero ver cobrarem esse amor aos políticos, advogados, médicos e engenheiros. Eu DUVIDO que esses profissionais venham "mostrar seu trabalho" e que faça isso apenas pelo amor, sem cobrar nada. Se houver, são casos raríssimos e que contam-se nos dedos.
Existe o amor pelo o que fazemos, que não pode faltar ao artistas, mas tmb existe o SPC e o SERASA se vc não pagar suas contas. Eles não vão querer saber se você foi enganado por alguém que disse que ia te pagar e não pagou pq hoje em dia, está tudo sistematizado. Passou do prazo, é multa por cima de multa e ai de você se não pagar.
O mais absurdo é que quando as pessoas querem gastar dinheiro, geralmente, querem comprar algo relacionado à arte: roupas bonitas (estilistas)... Quadros (artistas plásticos)... Jogos de vídeo game/PC (designers gráficos e todo um arsenal de artistas)... Shows (músicos)... Filmes (atores/atrizes e bailarinos)... Querem gastar dinheiro com coisas que "os vagabundos fazem" e não com papel pra desenhar mais plantas nas horas vagas, pq é divertido... Ou com o transporte de pacientes, pq é hobby... Ou um processo longo pra ler pq relaxa... Só "coisa de vagabundo".
Talvez "o erro" seja ser brasileiro(a), pois não valorizamos nada do que vem daqui. Ator/atriz americano(a)? É chiquérrimo! Ator/atriz brasileiro(a)? Vagabundo(a). Cantoras americanas? Divas e maravilhosas! Cantoras brasileiras? Putas. Bailarinos(as) europeus/européias? O supra-sumo do "chiquetê"! Bailarinos(as) brasileiros(as)? Um bando de desocupados. Desenhistas japoneses(as)? Nossa! Incríveis! Desenhistas brasileiros(as)? Um bando de maconheiro.
Até quando vamos viver nessa "Síndrome do Vira-lata" que só faz mal para nós mesmos, tanto enquanto artistas, quanto para quem consome arte? A gente não apenas desvaloriza os artistas daqui, como também nos desvalorizamos como povo, pois a arte de um povo o define e o engrandece. Os europeus e americanos investem pesado em arte pq um povo educado valoriza sua arte e, ainda por cima, atrai muitas pessoas, logo, mais dinheiro. Animações e desenhos da Disney... Filmes... Jogos... Divas pop... Tem como os EUA ser um país pobre, quando sua cultura está sendo tão bem difundida? Agora, imagine os EUA sem nada disso. O prestígio americano iria cair drasticamente e talvez, nem manteria mais o seu império sobre o mundo!
Enfim... Mesmo depois de tudo, continuo sendo uma sonhadora, que decidiu pagar esse preço caro e difícil de fazer o que ama e sonho com o dia em que nós, artistas brasileiros(as) sejamos, finalmente, reconhecidos pela importância que temos, nem que seja, minimamente, para trazer alívio e alegria para um país tão doente como o nosso, mesmo tendo consciência de que somos muito mais do que essa definição de "meros bobos da corte".