Relações pessoais e Kintsukuroi

domingo, 17 de março de 2019


É, amigos(as)...

Estamos na era da pós-modernidade. A era do descartável: produtos descartáveis ou com prazo de validade (no caso da comida, é importante, mas de produtos eletrônicos, acho um tanto absurdo, pois empresas programam o período para os produtos começarem a falhar para assim, as pessoas consumirem mais e aumentarem o lucro delas [esse fenômeno se chama obsolescência programada. Podem pesquisar, se quiserem])... Trabalhadores descartáveis (por isso a flexibilização das leis trabalhistas)... Relacionamentos descartáveis...

Podemos jogar tudo fora, até pessoas.

Mais um momento "amiga, não revela a idade". Hahaha!
Sandra de Sá é das antigas, mas essa música é muito boa!


E eis que me pergunto até quando isso é bom... Pq jogar fora pessoas que nos feriram por motivos mesquinhos... Pq tiveram a intenção de nos causar o mal ou sentiram prazer em nos causar mal é algo extremamente importante! Temos que jogar fora essas pessoas de nossas vidas mesmo e fazer o que nos faz feliz, mas e quando essa pessoa não é uma pessoa que teve más intenções, mas teve apenas más escolhas ou más condutas, sem intenção de fazer o mal...? Devemos jogar fora também?

É muito fácil cair em maniqueísmos e categorizar as pessoas como "boas ou más", mas sabemos, quando crescemos ou estamos em fase de crescimento, que a vida é muito mais complexa do que isso. Existem sim pessoas egoístas e nojentas que só olham para o próprio umbigo e pouco se importam com o mundo ao redor. Existem sim pessoas com um nível de consciência tão baixo que sentem prazer em prejudicar os outros. Que deixam de cuidar de suas vidas APENAS para atrapalhar alguém que elas têm raiva e sim. Já testemunhei coisas assim e fiquei sem acreditar!

Tradução: "quando alguém é sórdido/nojento com você, não leve ao pessoal.
Não diz nada para você, mas muito sobre elas."


Por outro lado, somos seres humanos e não somos infalíveis. Há pessoas que erram na tentativa de acertar e, realmente, não tinham a intenção de fazer aquilo. Elas queriam fazer o melhor pela outra pessoa, mas, infelizmente, "pisaram na bola". Faz parte do nosso desenvolvimento, como seres humanos e que querem ser conscientes de seus próprios atos e compreensivos com os outros, saber diferenciar quem é quem para não cometermos as injustiças de aceitar pessoas que nos fazem mal de propósito e/ou de rejeitar quem errou, mas que não fez por mal.

É nesse momento em que eu, que estou muito envolvida com o tema da reciclagem, graças à pesquisa e reflexões da minha querida amiga Fátima, começo a comparar as coisas... O que é lixo e o que é reciclável? Afinal, recicláveis e lixo não são a mesma coisa. Lixo é aquilo o que não presta mais para nada e recicláveis, vc pode separar por tipo (papel, plástico, metal, etc) e depois, aquilo pode ser transformado em um novo produto e pode ser reaproveitado.



Com as pessoas, não é assim tmb? Tem pessoas que não nos servem mais, no sentido de contribuir positivamente para as nossas vidas e tem pessoas, cujos laços se afetaram, por algum motivo e cabe a nós reciclarmos ou ressignificarmos esses laços para que continuemos bem... Reciclar produtos/pessoas, na minha humilde opinião, é ter consciência sobre o lugar de cada coisa, pois se vc joga tudo no lixo ou em lugares impróprios, aquilo vai sujar e poluir o meio ambiente que, numa assimilação poética, pode ser seu coração, seus pensamentos e/ou sua alma...

Portanto, por mais controverso que seja essa relação moderna e antiga, ao mesmo tempo, eu acho nem toda relação que se abalou deve ir para o lixo... E, infelizmente, por piores que tenham sido os relacionamentos amorosos no passado (pq era muito mais machista e as mulheres tinham menos direitos do que têm hoje), os relacionamentos que se abalavam, as pessoas tentavam consertar... Afinal de contas, por mais machista que o mundo tenha sido anteriormente, haviam relacionamentos que davam certo, mesmo com esse machismo todo e haviam mulheres felizes também. Nem todas, mas elas existiram. Chega a ser até curioso, mais uma vez, esse paradoxo de que cada vez se inventam mais coisas para reciclar produtos, mas pouco ainda é reciclado. As pessoas preferem jogar fora e comprar um novo, sem se importar com os danos ao meio ambiente...



Hoje, nós mulheres conquistamos mais direitos, os homens estão um pouco menos machistas (um pouquinho sim, por mais incrível que pareça), temos relações amorosas um pouco mais democráticas que antigamente e muito mais opções, além da relação monogâmica (poliamor, relacionamento aberto, etc) e temos relações de amizades com pessoas em outros cantos do mundo que, às vezes, significam até mais para nós do que amizades com pessoas que vc vê, pessoalmente e todos os dias! E tudo... Absolutamente TUDO, até relações familiares, podem ser transformadas com apenas um clique... Você pode jogar seu namoro/ amizade/ relação familiar apenas deixando de seguir ou bloqueando a pessoa...

"Nããããããão! Não me bloqueia, por favor!"

Ou o "joga fora no lixo" manual e pessoal, né?


É absolutamente espantoso ver que temos mais formas de nos comunicarmos (Facebook, Messenger, Instagram, WhatsApp, Twitter, e-mail, celular, telefone, SMS, etc) e é através de um diálogo que estabelecemos relações e até que mantemos ou resolvemos os "perrengues" dessas relações e há pessoas que se negam a isso, porque acham melhor jogar no lixo ao invés de reciclar... Fico até sem palavras de descrever o que eu sinto ao me deparar com isso... Posso dizer apenas que fico perplexa... E bem decepcionada...

E bom... Para finalizar, há muito tempo atrás, vi uma técnica japonesa milenar chamada Kintsukuroi e como a imagem da notícia diz (fiz essa postagem primeiro no Facebook), "é a arte de consertar cerâmica com ouro e laca e compreender que a peça é mais bela por ter sido quebrada". Achei que com relacionamentos humanos, poderia ser assim, mas do mesmo jeito que "quando um não quer, dois não brigam", "quando um não quer, dois não se unem"...


Enfim... Tantos sentimentos me atravessam agora que eu nem sei dizer o que diabos estou sentindo, mas desejo a todos um bom domingo e que se deliciem com essa bela arte japonesa de consertar "as coisas".

😘😘😘❤️❤️❤️🙏🙏🙏

Empatia e alteridade

quarta-feira, 23 de janeiro de 2019


Empatia e alteridade são algumas das palavras mais usadas e mais ditas ultimamente e pouca gente as compreende ou se importa com elas, mas são palavras que poupariam a humanidade de muitas coisas.

Com a alteridade, nós vemos o outro tal como ele é: como um outro ser e não como uma "extensão de nós mesmos" e respeitamos essas diferenças e com a empatia, nós sentimos com o outro. Quando combinadas, essas palavras produzem algo maravilhoso: eu reconheço o outro como sendo um outro e mesmo tendo ciência dessas diferenças, eu tento sentir junto os sentimentos deste outro.

Não é algo fácil, mas é algo tão humano e tão importante que as pessoas não fazem ideia...

É muito fácil eu ser de um grupo de xadrez, compreender todas as dificuldades que este grupo de xadrez enfrenta e não, pelo menos, tentar compreender as dificuldades de um grupo que joga dominó, por exemplo. É muito fácil eu dizer que o grupo que joga dominó tá com "mimimi" e eu só me concentrar nas dificuldades do grupo de xadrez no qual EU faço parte. Isso é algo muito fácil e é o que está acontecendo no mundo hoje... - não há, sequer, essa tentativa de tentar compreender o outro porque a mente está fechada e todo mundo quer ter razão.

Claro que usei um exemplo muito bobo, mas é o que acontece com os grupos minoritários, como as mulheres, os negros, os LGBTs, os imigrantes... Seria muito fácil se eu defendesse somente os direitos das mulheres e esquecesse o resto, pois é o grupo no qual eu me encontro, mas será que isso é o melhor para uma boa e pacífica convivência? "Cada um por si?" Não é por esse pensamento que estamos destruindo uns aos outros?

É por esse motivo que defendo todos os grupos minoritários: eu não preciso ser negra, nem LGBT, nem imigrante para defender o direito deles. Basta eu ter alteridade e empatia. A alteridade faz com que eu veja as diferenças óbvias e que eu compreenda meu espaço no mundo. Em alguns aspectos, em lugar de privilégios e em outros, não. É muito fácil para as pessoas que estão nesse lugar do privilégio achar que a dor alheia é mimimi. A empatia faz com que eu compreenda a luta dessas pessoas e tenha vergonha de algumas besteiras que as pessoas dos grupos ao qual pertenço falam e por isso, gosto de ajudar as minorias em sua luta, minimamente, tentando dialogar com as pessoas que não compreendem isso (sem muito sucesso, infelizmente. Hehe!).

Para desenvolver essas duas coisas, precisa querer desenvolver a inteligência emocional e a sensibilidade, coisa que algumas ciências humanas como as ciências sociais, psicologia e arte fazem, mas são, justamente, as ciências mais desvalorizadas por todos e que muitos consideram inúteis.

Acho que além de tudo isso, tem uma questão de maturidade envolvida... Lembro que na fase da infância, as crianças se veem como centro de tudo e é como se essas pessoas incapazes de compreender o outro fossem pessoas infantilizadas... Sem a capacidade de ver para além de si mesmas. Nesse aspecto, concordo quando dizem que vivemos numa sociedade infantilizada. Não falaram nesse aspecto que estou falando, exatamente, mas basta ver a forma como estão tratando a política, como se fosse um jogo de futebol e tem gente ainda "rindo pq seu time ganhou" e estamos todos inseridos nesse meio...

Boa parte dessas pessoas que não conseguem entender isso, mal entendem que direitos humanos não depende de visão política. Acham que "é coisa da esquerda" e resolvem abominar tudo, sem nem se dar ao trabalho de tentar entender as coisas. Gostam de simplismos e respostas rápidas e curtas para questões complexas e que exigem essa maturidade e sensibilidade...

Enfim... Estou cansada dessas cabeças fechadas, que gostam de se denominar "conservadoras" e que gostam de dizer que fazem parte de uma crença religiosa, cujo maior messias disse "amai uns aos outros como eu vos amei" e elas ficam "amando" esses outros com sinais de revólver com os dedos e com frases prontas que dizem "acabou a mamata", mas são completamente cegos para a mamata dos políticos que eles mesmos elegeram.

Enfim... Cansada de toda essa gente que vê tanto mal num pobre ganhando R$ 77 reais de Bolsa Família para, pelo menos, ter um pouco de comida na mesa e dizer que isso é mamata e é completamente cega aos muitos políticos que roubam, tanto da direita quanto da esquerda, e que são uns poucos com dinheiro suficiente para alimentar todos essas pessoas famintas.

Pior que os miseráveis, que sofrem com a falta de alimentos são essas pessoas, que têm falta de humanidade...

PS.1: não falei me gabando quando disse que luto pelos direitos da minoria e tento exercitar a empatia e a alteridade. Não sou nenhuma pessoa "em estágio de Buda" ou seja lá o que for. Tento fazer o que acho certo e pronto e pra mim, isso é algo tão básico para nós, seres humanos, que me choca tentar falar com tantas pessoas sem A MENOR noção dessas palavras e sem a menor sensibilidade contra as pessoas que mais precisam. E é porque eles se denominam "cidadãos de bem", hein? Imagine se fossem malignos!

PS.2: por mais que eu tente ser apartidária, dá pra perceber que me refiro aos bolsomínions, em maior parte porque são, justamente eles quem menos se importam com os outros. Só se importam com eles mesmos, mas se pessoas da esquerda também falarem besteira contra essas minorias, serei contra elas tmb, porque, como falei lá em cima, direitos humanos não é questão de direita ou esquerda. É questão de educação, consciência, caráter, sensibilidade, etc.

Lord I want to be a Christian

sábado, 15 de dezembro de 2018


Mais uma brincadeira despretensiosa, onde canto um trecho de alguma peça de coral e canto todas as vozes só pra sentir a harmonia e, simplesmente, brincar.

Infelizmente, essa música, em especial, é um Negro Spiritual e como muitas peças desse gênero, foram escritas por negros em muito sofrimento e, no caso dessa música, em processo de evangelização (ou imposição religiosa, né?), durante a época da escravidão só que, estamos falando da escravidão negra que aconteceu nos Estados Unidos.



Essa música é de uma beleza e de uma tristeza grande e que me tocaram muito, quando estava aprendendo a cantar em coro.

No caso, essa música é para coro misto (soprano, contralto, tenor e baixo), mas como minha voz no tenor e no baixo é uma porqueira, por motivos óbvios, transpus tudo uma oitava acima e transformei num coro feminino. Não tive pretensão nenhuma ao fazer isso. Somente quis brincar e tornar as coisas mais fáceis e confortáveis para mim.

Espero que gostem de mais uma dessas brincadeirinhas bobas que faço para me distrair e me alimentar... Sentir que estou criando algo e fazendo arte, pois assim, sinto que minha vida tem mais valor e mais significado do que algumas vezes, quando passo um longo tempo sem produzir/criar/fazer arte.