Review de "A Lista de Schindler"

sexta-feira, 8 de julho de 2016


Nota de 1,0 a 5,0 = 5,0


Nossa! No mesmo dia em que vi "Olha quem está de Volta", vi mais outros dois filmes, que foram clássicos: "A Lista de Schindler" e "O Silêncio dos Inocentes" (cujos reviews, farei em breve), o primeiro, um clássico da História e do drama e o outro, um clássico do suspense.

"A Lista de Schindler" é um filme do grande cineasta Steven Spielberg, que marcou a geração anos 80 com o filme "ET", "Jurassic Park" e tantos outros sucessos, mas por ser um gênero diferente desses outros filmes que citei, confesso que me surpreendi. Sempre tinha ouvido falar desse filme, mas somente há uns finais de semana atrás, consegui vê-lo do início ao fim.

Mesmo sendo um filme da década de 1990, o diretor escolheu gravar tudo em preto e branco e isso deu uma certa elegância ao filme e também deu um certa morbidez, no qual está inserida a época, que retrata o nazismo na Alemanha. A única parte em cores, é a roupa de uma menina, de vestido vermelho, que sai correndo em algumas cenas e que, poeticamente, retrata o sangue e a violência da época.


O filme conta a história de um empresário, o Schindler, que está ascendendo socialmente, fazendo acordos com os judeus e conseguindo mais dinheiro, poder e prestígio e enquanto eles faz esses acordos, ele vê o quanto a vida dos seus empregados vem piorado e se tornando, cada vez mais complicada, devido ao nazismo.

É impressionante ver como era a casa e os luxos que os judeus possuíam antes da guerra e como, aos poucos, foi-se atribuindo a culpa de todas as crises e tudo de ruim que acontecia na Alemanha a eles e então, eles foram tratados das maneiras mais cruéis e abomináveis que podemos imaginar. 


[Alerta de spoiler] Uma das cenas que me tocou foi a de um idoso judeu, que possuía apenas uma mão e foi contratado para trabalhar na fábrica do Schindler. O idoso foi agradecer ao Schindler por tê-lo salvado e, inocentemente, o senhor se dizia um funcionário muito importante da fábrica e os soldados nazistas, ao verem o funcionário "maneta", como eles tratavam, riram e o assassinaram a tiros depois. O mais impressionante de tudo é que apesar do cinema romantizar muito as coisas, boa parte das histórias foram baseadas em fatos reais.

Os judeus eram mortos por qualquer motivo, até mesmo por diversão... O soldado nazista, brilhantemente interpretado pelo Rauph Fiennes (o mesmo ator que interpretou "Voldemort" do Harry Potter e o "Dragão Vermelho", da trilogia do Hannibal), não tinha o que fazer, estava entediado e decidiu matar vários judeus "para brincar um pouquinho". A frieza e maldade deste personagem eram impressionantes.



Schindler, no início, começa com uma visão empresarial e empreendedora de um homem ambicioso e de lábia habilidosa, que queria prosperar nos negócios e utilizou a guerra e a crise em que estavam vivendo como uma alavanca para este sucesso e assim, ele utilizava a mão-de-obra judia por ser mais barata e fácil de explorar, mas, ao mesmo tempo, ele acabava salvando esses judeus das garras dos nazistas. Só beeeeem depois é que ele realmente teve a intenção de salvar os judeus da tortura e da morte. Ao mesmo tempo, ele conseguia apoio dos nazistas, graças à sua simpatia e lábia e assim, ele obteve muito sucesso e prosperidade.


O mais chocante de tudo é que no final [alerta de spoiler de novo], as imagens ficam coloridas e os atores que interpretaram os judeus entram em cena, levando pedras ao túmulo de Schindler, junto aos judeus DE VERDADE, que possuíam aqueles nomes e viveram aquelas histórias mostradas no filme.

Uma cena dessas e um filme desses, com pessoas reais faz contando todo esse sofrimento que viveram, na época do Holocausto, no mínimo, é de calar as bocas das pessoas que não estudaram História ou acham que "O Nazismo não foi assim tão ruim".

Assistam esse filme e tirem suas próprias conclusões do que foi o período nazista.




Os judeus presos nas câmaras de gás e Schindler lutando para elas terem um pouco de água e assim, sobreviverem


Campos de concentração nazista

Soldado nazista grita ensandecido. Ao fundo, corpos de judeus queimando

Cena final, onde os judeus que passaram por tudo isso de verdade colocam uma pedra sobre o túmulo de Oskar Schindler

O feminino e a beleza

quarta-feira, 6 de julho de 2016


Vocês já pararam para pensar que, talvez, o feminino, como nós conhecemos hoje, pode não ser o feminino de verdade? Que tudo isso que vivemos faz parte de uma construção social?

É aí que partimos para perguntas bem complexas e que, talvez, não tenhamos, ainda, as respostas: o que é o feminino? O que define alguém como sendo feminino(a)? E agora, uma pergunta dificílima para refletirmos juntos: o que é biológico e o que é construção social, de forma a definir ou, até mesmo, desconstruir o que conhecemos hoje como o feminino?

Eu me questionei essa última pergunta várias vezes e ainda não encontrei uma resposta satisfatória, por isso, vamos "congelá-la" e voltar para as questões anteriores:

O que é o feminino?


Se fôssemos para as definições que se faziam antigamente, pensaríamos como tudo o que é oposto ao homem, ou seja, que é um ser humano fisicamente mais frágil... Mais dócil... Sensível... Delicado... Mais emotivo... Muitos associam o feminino à figura da mãe... Ou da mulher sedutora... Mesmo em pleno século XXI, ninguém associa a figura feminina à uma caçadora... A uma guerreira viking sanguinária (mesmo com um estudo que diz que existiam muitas amazonas vikings)...

E se, hoje em dia, pedíssemos a um adulto, adolescente ou uma criança para que pensassem numa mulher, as crianças, provavelmente, pensariam em suas mães, os adolescentes pensariam em mulheres que admiram (divas pop, por exemplo) ou, se forem homens, adultos e adolescentes pensariam numa mulher que eles acham atraente... Se forem mulheres, uma mulher que as inspiram... A questão é que todos pensarão numa mulher bem arrumada dentro de seu estilo (se ela tiver algum, seja ele mais clássico, ou rock, ou pop, etc), com batom, maquiagem, salto... Pensarão numa mulher "comercial", mas eis que pergunto: e se pegássemos essa mulher e tirássemos todos os apetrechos dela? Tiramos a maquiagem... Tiramos as roupas que acentuam as curvas femininas... Tiramos tudo! Ainda resta o feminino na mente dessas pessoas? Vocês ainda achariam essa mulher atraente?


As pessoas atribuem ao feminino o que não é natural. Qual a mulher que já nasceu com batom, rímel, lápis, maravilhosamente maquiada e depilada? NENHUMA! Tentam disfarçar tudo o que nos foi dado naturalmente. Para isso, criaram as giletes, as ceras, vários outros tratamentos estéticos para remoção de pelos... Maquiagens de vários tipos e várias qualidades... Existem até as tatuagens que funcionam como maquiagens permanentes, mas nada disso é como realmente nascemos. São apetrechos que nos tornam mais bonitas, dentro dos padrões estéticos de hoje. Então, faço outra pergunta para reflexão: se o feminino é aquilo que é referente àquelas que nasceram como mulheres (como definem os dicionários), sendo algo naturalmente nosso, o feminino é bonito? Você se sentiria bonita se não se depilasse ou usasse maquiagem? Você se sente feminina em seu estado natural? Você, homem, acharia atraente uma mulher que não se maquia e não se depila? Acharia ela feminina? Mais uma vez: dentro deste ponto de vista, o feminino é mesmo bonito?

Eu me questionei isso quando li um artigo muito interessante sobre mulheres que se arrumam e passam por uma série de procedimento e "rituais" para ter relações sexuais (quem puder, leia. Esse artigo é maravilhoso) e quando a autora do artigo perguntou aos amigos dela o que eles faziam quando sabiam que ia ter aquela noite de sexo, muitos respondiam apenas que faziam a barba e tomavam banho... Ou seja: os homens estão muito mais próximos de seu estado natural. Mesmo com tantas idas e vindas de modas, como o metrossexual e os bombados de academia que se depilam (ou, simplesmente, o homem que sentir vontade de se depilar), se o homem resolver que não quer depilar nada, a sociedade aceita isso numa boa. Logo, acho que pode-se dizer que o masculino é bonito aos olhos da sociedade. Se ele se depilar, ainda tem as pessoas que chamariam ele de "viado" e outras coisas que colocariam a "masculinidade" dele à prova, mas é muito mais aceito que uma mulher sem depilar as axilas, por exemplo. Eu confesso que sinto um certo nojo quando vejo mulheres sem axilas depiladas, mas compreendo que somos frutos de construções sociais e fomos ensinados a pensar assim. Na Europa, uma mulher que não depila as axilas é vista com mais "normalidade" e é aceita.

Minha reflexão aqui não é uma incitação do tipo "jogue sua gilete fora e nunca mais use maquiagem". Cada uma faz aquilo o que achar melhor para si mesma, mas percebam a diferença como tratam o que é natural a nós e o que é natural aos homens e vamos refletir sobre isso. Será que se tratassem a nossa naturalidade como algo belo, não nos sentiríamos mais auto-confiantes? Você não se sentiria melhor se dissessem que você já nasceu linda e não precisa fazer nada para mudar isso? Só muda o que você tiver vontade? Pois esse é o mundo dos homens e é nesse sentido que a igualdade de gênero também deveria ser importante, pois o que a mídia ensina é que somos tão feias que precisamos não apenas de batom, mas de base, primer, máscara de cílios, pó, sombra, delineador, blush claro e escuro para fazer efeitos, lápis de boca, primer para boca, botox, bundex (ainda existe esse negócio?)... Tanta coisa para ficarmos parecidas com as atrizes, cantoras e famosas que vemos na TV/internet. Nós somos as maiores consumidoras de produtos cosméticos e isso só mostra o quanto nós mulheres somos inseguras com nossa aparência, de uma forma geral e o quanto damos mais importância a ela do que a outras coisas.

Por favor, vejam esse clipe. Ele é maravilhoso e mostra as mulheres, incluindo a cantora, com e sem maquiagem:


Como estamos num mundo líquido, muitas coisas estão perdendo a definição e estão navegando na maré de incertezas... Há homens que nascem femininos, sofrem muito preconceito com isso e podem se revelar, na puberdade (alguns, se revelam ainda na infância, mesmo sem ter noção das relações sexuais), como gays, transexuais, travestis, bissexuais ou ainda, homens que, simplesmente, são mais delicados e sensíveis, mas são heterossexuais e defendem as mulheres e o feminismo. Há, ainda, mulheres que se identificam com o masculino, se identificando como lésbicas, bissexuais, sapatões ou, simplesmente, são mulheres que são heterossexuais, mas não são delicadas, não choram em filmes de romance, não querem ser mães, não têm vergonha de demonstrar a sua sexualidade acentuada e/ou não têm paciência com "melodramas".

Sendo assim, devolvo a pergunta que agora, ficou mais difícil de se responder: o que é o feminino neste mundo de contínua desconstrução? E ainda, repito a pergunta que ainda reflito sobre ela: o que é que é biológico e o que é que é construção social nesta definição entre o feminino e o masculino?

Quando acho que sei algumas respostas para essas questões, aparentemente bobas, surgem mais perguntas e acho que esse é o grande barato do mundo líquido de hoje - você poder desconstruir para uma melhor compreensão e depois reconstruir ou, ainda, por mais angustiante que seja, permear no universo das incertezas e apenas admirar a beleza, a fragilidade e a complexidade que é o ser humano, seja biologicamente ou psicologicamente.

Queridas amigas (mulheres ou pessoas que se consideram femininas), quero encerrar esse meu post meio confuso (por não apresentar nenhuma resposta concreta e sim, apenas dúvidas), dizendo que NÓS é quem definimos o que é feminino ou não, simplesmente por sermos... Por existirmos e que somos lindas, escolhendo sair por aí com ou sem maquiagem.

Beijões enormes e sejam do jeito que vocês se sentem felizes!


Obs: percebam que não sou contra a maquiagem e a depilação. Inclusive, gosto de ambas, mas sou contra a imposição social de que "só isso é aceito" e "só isso é que é o bonito", ou ainda "isso é ser mulher. Isso é o feminino" quando, como expliquei no post, não é bem assim.

Suicídio: a diferença entre querer morrer e querer que a dor pare

domingo, 3 de julho de 2016


Artigo belíssimo e muito útil para quem pensa ou já pensou em se matar ou, ainda, para pessoas que têm amigos e parentes que pensam nisso e estão passando por esta fase difícil...

Boa leitura!

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Por: Jennifer Wilson
Eu não quero morrer.

Eu só queria que a dor parasse: a dor que rodeava e apertava meu peito, o peso que envolveu meu cérebro na sombra, a agonia que transformou todo o mundo em escuridão.

Eu precisava disso para cessar a dor.

Não foi um grande trauma que me convenceu que a morte era a minha única opção, mas uma série interminável de pequenas dores que roubaram a minha esperança. A pressão da vida quotidiana tornou-se um assalto implacável: uma mão pesada sobre meu ombro que me esmagava.

Uma manhã eu tive uma discussão menor com meu marido e, como diz o provérbio sobre colocar mais lenha na fogueira, essa discussão me deixou em pedaços.

E então eu decidi que tinha apenas uma escolha que fazia algum sentido. Senti que todo mundo estaria melhor sem mim.

Eu fiz um plano. Eu escrevi cartas para a minha família. Chorando, telefonei para o meu amado irmão para dizer adeus.

Entretanto, levou poucos momentos para ele compreender o que eu estava fazendo e, em seguida, rapidamente, ele entrou em ação. Ele me cortou, desligou na minha cara e chamou meu marido imediatamente.

Meu marido correu de seu prédio de escritórios e, frenético, me procurou usando um aplicativo em seu telefone. Ele chamou um policial. Chamou a ambulância. Levou-me para o hospital.

Deram-me uma bebida lamacenta em um copo de papel enquanto eu estava deitada na maca, e eu chorei.

Eu não quero morrer.

Eu só queria que a dor parasse.

A escuridão que eu tinha mergulhado era muito espessa. Eu não conseguia mais enxergar meus filhos. Eu não conseguia mais enxergar a vida que eu tinha construído com o homem que eu havia escolhido 25 anos atrás. Eu não podia enxergar minha família, os irmãos que me conheciam desde o nascimento, os pais que me apoiaram desde antes que eu pudesse lembrar. Eu não podia enxergar meus amigos, que teriam ficado extremamente entristecido comigo se eu tivesse de deixá-los.
Eu não podia ver o amor.

Havia amor em volta de mim, mas esse amor foi empurrado pela escuridão, com força despejado de minha consciência pelo preto sufocante.

No hospital psiquiátrico, eu estava cercada por pessoas cujas experiências foram muito parecidas com o minha. Ouvi histórias familiares. Eu aprendi novas formas de lidar com a minha dor. Percebi que tinha opções. Mais importante, porém, vi que não estava sozinha.

Eu tenho ajuda.

Eu tenho um bom diagnóstico e fui colocada sob medicação que funcionou como um raio de luz no meu cansado cérebro, confuso. Isso não aconteceu da noite para o dia. Levou algum tempo para encontrar as doses certas e as prescrições corretas, mas eu perseverei. Eu mantive firmemente a esperança de que o antídoto certo para a escuridão poderia ser encontrado.

Eu não quero morrer.

Eu só queria que a dor parasse.

E ela parou.

Lenta, mas seguramente, com a terapia e o tempo, a dor parou.

Estou aqui hoje para lutar junto com você: Não desista.

Há uma razão para que você esteja lendo isso agora, neste exato momento no tempo. Esta é uma mensagem que você precisa ouvir. Você não está sozinha. O próprio mundo anseia para você ficar, anseia para você permanecer. A Terra está chamando. Ouça! Lá está, no calor dos raios do sol em cima de seu rosto virado para cima, na brisa fresca que acaricia sua pele, no canto de um pássaro, a maravilha de folhas e flores. A mensagem está lá para ouvir. A Terra está implorando para você não desistir.

Para toda escuridão há um facho de luz pelo qual é possível andar, basta apenas que os olhos sejam liberados do desespero.

Buscar. Falar com alguém. Há amor lá fora; há amor ao seu redor. Só porque você não pode sentir isso agora não significa que ele se foi. Não acredite na escuridão. Ele é uma mentirosa e uma ladra.

Estou feliz por estar aqui hoje.

A chuva cai e o sol brilha. Posso ver meus filhos rirem e chorarem e lutar e crescer. Meus pais estão agradecidos. Meu marido é cuidadoso. Meus irmãos me apoiam. Meus amigos me querem bem. Todo dia eu vejo o amor que eu não podia ver antes.

Eu acreditava nas mentiras que a escuridão me falou, e eu tentei tirar minha vida.

As vezes a vida ainda é uma luta. As vezes o amor parece desaparecer e parece estar longe. Há dias em que eu acordo desanimada e me sinto derrotada. Tem dias que eu ainda quero deixar este mundo (e todas as suas tribulações) para trás. Mas eu continuo colocando um pé na frente do outro, e eu agarro a esperança. Eu falo com os que me rodeiam. Eu tenho um boa noite de sono. Um novo dia amanhece. Eu me sinto melhor.

Eu não tinha que morrer para que a dor parasse.

Você também não tem que querer.


Texto original: The Difference Between Wanting to Die and Wanting the Pain to Stop

Tradução: livre / O autor do Blog

Fonte: Blog Homem contra Si Mesmo